BRASÍLIA – O cenário jurídico em torno da operação “NarcoFluxo” transformou-se em um verdadeiro tabuleiro de xadrez nesta quarta-feira (23). A Justiça Federal acatou um novo pedido da Polícia Federal e decretou a prisão preventiva dos cantores MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, do criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, e de outros 33 investigados.
A decisão surge como uma resposta imediata à soltura do grupo, que havia sido beneficiado por um habeas corpus concedido pelo ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), horas antes.
O “Contra-Ataque” da Polícia Federal
A PF não recuou após a decisão do STJ. Em um novo requerimento, a autoridade policial argumentou que medidas cautelares alternativas, como o uso de tornozeleira ou proibição de deixar o país, seriam “ineficazes” para deter a organização.
Segundo os investigadores, a liberdade dos suspeitos representa uma ameaça direta à ordem pública e à integridade das provas de um esquema que movimentou impressionantes R$ 260 bilhões. A acusação aponta para uma sofisticada rede de:
Lavagem de dinheiro do tráfico internacional;
Exploração de jogos de azar e bets ilegais;
Rifas digitais maquiadas para mascarar lucros do crime organizado.
Entenda o Conflito Jurídico
A polêmica começou com o prazo das prisões. Inicialmente, a PF pediu 5 dias de prisão temporária, mas o juiz de primeira instância estendeu o prazo para 30 dias. A defesa de MC Ryan alegou desproporcionalidade, e o STJ concordou, revogando a detenção.
Agora, com o novo pedido de prisão preventiva (que não tem prazo fixo para terminar), a Justiça Federal sinaliza que o rigor será mantido devido à gravidade das cifras envolvidas.
O Que Dizem os Envolvidos?
As defesas reagiram com indignação à nova ordem de prisão:
MC Ryan SP: O advogado Felipe Cassimiro questionou o timing da PF, classificando o pedido como “extemporâneo”. “Se os requisitos da preventiva estivessem presentes desde antes, por que não foram requeridos no momento oportuno?”, declarou em suas redes sociais.
Raphael Sousa (Choquei): O advogado Pedro Paulo de Medeiros afirmou que recorrerá às instâncias superiores (TRF-3, STJ e STF). A defesa alega “ausência de fundamentação individualizada”, argumentando que o juiz sequer mencionou elementos concretos que liguem Raphael diretamente aos crimes citados na nova decisão.






