SÃO PAULO – Em um vídeo carregado de dor e indignação, os pais da soldado Gisele Alves Santana reagiram à notícia da transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O oficial, réu confesso pelo feminicídio da ex-mulher ocorrido em fevereiro, no Brás, passou à inatividade com uma remuneração bruta de aproximadamente R$ 30 mil.
Para a família da soldado, a agilidade do Estado de São Paulo em garantir o benefício financeiro ao “algoz” de Gisele soa como uma segunda violência.
“Acabamos de saber da notícia da aposentadoria dele. Vocês acham justo o Estado pagar um salário para um monstro desse? Um covarde que matou a mulher, colega de farda, porque ela disse não?”, questionou o pai da vítima, visivelmente abalado.
Contraste de Prioridades
A mãe de Gisele também manifestou revolta com a decisão administrativa da Polícia Militar. Enquanto o processo de aposentadoria do réu fluiu com rapidez, a realidade da família é marcada pelo luto e pelo desamparo. “É muito revoltante ver um assassino desse ser aposentado. Para ele foi rápido; para a minha filha sobrou o caixão”, completou o pai.
O sentimento de injustiça é agravado pela situação da filha de Gisele. Enquanto a aposentadoria do tenente-coronel já foi confirmada e publicada, o processo de pensão para a órfã da soldado, que aguarda há quase um mês, sequer teve a análise concluída.
O Crime
Gisele foi assassinada brutalmente por Geraldo Leite Rosa Neto, que não aceitava o fim do relacionamento. Além do feminicídio, o oficial responde por fraude processual, sob a acusação de ter tentado alterar a cena do crime para dificultar as investigações. O caso segue gerando forte debate sobre o corporativismo e a aplicação de benefícios administrativos a militares envolvidos em crimes hediondos.
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