Manaus | 4 de junho de 2026 | 06:12:16

Caso Benício: Inquérito revela que médica vendia maquiagem enquanto criança agonizava em Manaus

MANAUS (AM) – Novas e chocantes revelações do inquérito da Polícia Civil do Amazonas (PCAM) dão um rumo ainda mais grave às investigações sobre a morte de Benício Xavier de Freitas, de apenas 6 anos. Segundo as autoridades, a médica Juliana Brasil, responsável pelo atendimento do menino, estava realizando a venda de produtos de maquiagem via aplicativo de mensagens no exato momento em que a criança passava mal.

A perícia realizada no celular da investigada identificou trocas de mensagens de teor comercial concomitantes ao atendimento de urgência. Para a polícia, a conduta evidencia um completo desvio de foco e o descumprimento de protocolos básicos de segurança.

“Tal cenário sugere desleixo, falta de empatia e fragilização de protocolos essenciais. A condução do caso aparenta não ter recebido a atenção e a diligência exigidas, culminando no óbito do menor”, afirma o documento policial.

Fraude processual e vídeos adulterados

Além da negligência no atendimento, a Polícia Civil apontou que Juliana Brasil teria adulterado vídeos das câmeras do hospital. As imagens modificadas foram apresentadas pela defesa da médica ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e à imprensa, na tentativa de induzir uma interpretação de que o erro na administração da adrenalina teria sido causado por uma falha no sistema do hospital, e não por decisão humana.

A investigação apurou que houve até oferta de pagamento pela produção do material adulterado, o que pode configurar o crime de fraude processual. A irmã da médica e uma colega de profissão também são citadas como envolvidas na manipulação das provas.

Relembre o caso

Benício morreu na madrugada de 23 de novembro de 2025, no Hospital Santa Júlia, após receber uma dose de adrenalina diretamente na veia. A investigação confirmou que a medicação foi prescrita incorretamente pela médica Juliana Brasil, o correto seria a administração por nebulização (inalação).

O erro sistêmico, que envolveu outros profissionais, causou uma parada cardiorrespiratória irreversível na criança. Juliana Brasil e a técnica de enfermagem envolvida foram afastadas de suas funções, mas a médica aguarda o desenrolar do processo em liberdade após um habeas corpus.

Com as novas provas de “desvio de foco” e manipulação de evidências, a pressão da sociedade manauara por justiça ganha força, enquanto a Polícia Civil finaliza os detalhes para o indiciamento oficial.

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