Manaus | 18 de julho de 2026 | 05:12:16

Réu por Feminicídio, Tenente-Coronel mantém tese de suicídio e segue em gozo de licença-prêmio na prisão

SÃO PAULO – Em depoimento prestado ao Tribunal de Justiça Militar (TJM) na última quarta-feira (18), o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto quebrou o silêncio sobre os eventos que levaram à morte de sua esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana. Apesar das evidências coletadas pela perícia, o oficial reiterou a tese de que a vítima teria tirado a própria vida.

O Depoimento: “Tratamento Cordial”

Durante a oitiva, o réu demonstrou tranquilidade e afirmou que sua rotina no Presídio Militar Romão Gomes tem sido pautada pelo respeito. Segundo Rosa Neto, o tratamento recebido pelas autoridades carcerárias é “educado e cordial”.

O único ponto de insatisfação manifestado pelo oficial foi a exposição mediática. Ele relatou desconforto com a presença da imprensa e a repercussão do caso, que classificou como um momento de dor familiar, mantendo a narrativa de que Gisele utilizou a arma da corporação para cometer o ato no apartamento do casal, na Zona Leste da capital, em 18 de fevereiro.

As Contradições que Sustentam a Acusação

Embora o oficial tente emplacar a versão de suicídio, o Ministério Público e a Polícia Civil sustentam a denúncia de feminicídio. A investigação aponta para uma cena de crime que não condiz com o relato do sobrevivente. Entre os pontos cruciais que basearam a prisão preventiva e a denúncia, destacam-se:

Limpeza do Local: Peritos encontraram indícios de que o apartamento foi parcialmente higienizado antes da chegada das equipes de socorro.

A Demora no Socorro: Houve um intervalo considerado “injustificável” entre o disparo e o acionamento oficial das autoridades.

Sinais de Luta: O corpo de Gisele apresentava hematomas e escoriações que sugerem agressões prévias ao disparo, indicando uma possível luta corporal.

Balística e Posição da Arma: A posição em que o armamento foi encontrado e a trajetória do projétil são incompatíveis com a mecânica comum de um suicídio.

Desfecho e Próximos Passos

O tenente-coronel, que agora ocupa o banco dos réus, permanece preso enquanto o processo tramita. A defesa alega inocência e foca na saúde mental da vítima, enquanto a acusação reforça que o abuso de autoridade e a tentativa de fraude processual (alteração da cena do crime) são agravantes claros do crime de ódio contra a mulher.

O caso segue sob forte vigilância de entidades de direitos humanos e movimentos de mulheres dentro das forças de segurança, que cobram rigor na punição, independentemente da alta patente do acusado.

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