Brasília – Nos corredores do poder e nos bastidores do Judiciário, um novo movimento do clã Bolsonaro começa a desenhar o que pode ser a mais ousada manobra de defesa da família. A possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro assumir formalmente a defesa jurídica do pai, Jair Bolsonaro, não é apenas uma questão de currículo, mas uma estratégia de acesso ilimitado.
A Prerrogativa como Escudo
Flávio Bolsonaro, que é advogado de formação, poderia utilizar as prerrogativas garantidas pelo Estatuto da Advocacia para manter contato constante com o ex-presidente. Ao contrário de familiares comuns, que precisam seguir calendários rígidos de visitação em casos de custódia ou restrições impostas pelo STF, advogados constituídos têm o direito legal de conferenciar com seus clientes a qualquer momento.
Blindagem e Comunicação
Se concretizada, a medida permitiria que Jair Bolsonaro tivesse uma linha de comunicação direta e diária com seu principal articulador político, sem a “interferência” ou os registros das visitas familiares convencionais. Para críticos, a manobra seria um uso político das prerrogativas da OAB; para aliados, é o exercício legítimo do direito de defesa e assistência familiar.
O Embate Ético
Especialistas apontam que, embora legalmente possível, a indicação de Flávio poderia ser questionada no Conselho de Ética da OAB ou pelo próprio Supremo Tribunal Federal (STF), caso seja interpretada como uma tentativa de burlar decisões judiciais de isolamento ou restrição de comunicação com outros investigados.
O cenário coloca o Judiciário em um xeque-mate: impedir um filho-advogado de ver seu cliente-pai ou permitir que a família crie um “canal exclusivo” dentro do sistema de justiça.





