Manaus | 4 de junho de 2026 | 06:12:09

Barreira contra o descaso: em apenas 7 dias, nova ecobarreira salva Rio Negro de 40 toneladas de lixo

Foto – Guilherme Pinto /Semulsp

MANAUS – O que cabe em 40 toneladas? O equivalente ao peso de quase 30 carros populares foi retirado das águas de Manaus em apenas uma semana. Esse é o balanço da primeira limpeza da 14ª ecobarreira da cidade, realizada nesta sexta-feira (20/2), no bairro Educandos, zona Sul. O volume impressiona não apenas pela quantidade, mas pelo que revela sobre o comportamento urbano: o lixo que a cidade joga nos igarapés é o mesmo que a prefeitura agora tenta “caçar” antes que ele atinja o Rio Negro.

A estrutura, montada estrategicamente na última sexta-feira (13/2), funciona como uma última linha de defesa. Ela recebe o impacto das águas dos igarapés do 40, São Francisco e Mestre Chico, pontos onde a correnteza carrega tudo o que é descartado irregularmente nas ruas e margens.

“Linha final de defesa”

O secretário municipal de Limpeza Urbana, Sabá Reis, classifica a estrutura como uma barreira física necessária contra um problema cultural. “Em apenas sete dias, 40 toneladas deixaram de poluir o nosso rio. Especialmente neste período de chuvas, a ecobarreira cumpre um papel fundamental, criando uma defesa onde o volume de resíduos aumenta drasticamente”, pontuou.

Ao todo, a rede de 14 barreiras espalhadas por Manaus já evitou que um “continente de plástico” chegasse ao Rio Negro. Somente em janeiro deste ano, o sistema reteve 378 toneladas de resíduos sólidos.

Mais que plástico: o impacto sanitário

A limpeza desta sexta-feira revelou um lado sombrio do descarte irregular: a presença de cadáveres de animais domésticos. Dois gatos e um cachorro foram encontrados presos à rede de contenção, evidenciando um risco sanitário e a falta de sensibilidade no descarte de pets.

A prefeitura aproveitou a operação para relembrar que Manaus oferece cremação gratuita para animais domésticos, serviço que pode ser solicitado pelo telefone (92) 99164-3555. O descarte de animais em igarapés, além de crime ambiental, potencializa doenças e contamina o ecossistema hídrico.

Conscientização vs. Contenção

Apesar do sucesso operacional da ecobarreira, o desafio permanece educativo. A barreira flutuante é um remédio para o sintoma, mas não a cura da doença. “A estrutura segura o que já foi descartado, mas a mudança de comportamento é o passo mais importante”, reforça Sabá Reis.

Enquanto o lixo continuar sendo jogado nos bueiros e igarapés, as ecobarreiras continuarão batendo recordes de produtividade, uma marca que a gestão municipal espera, um dia, não precisar mais celebrar.

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