Manaus | 4 de junho de 2026 | 04:49:30

A “cidade solar” de Manaus: Universidade Nilton Lins atinge 95% de autonomia energética com projeto histórico na Amazônia

MANAUS (AM) – Enquanto os termômetros da capital amazonense registram as altas temperaturas características da região, a Universidade Nilton Lins decidiu transformar o sol senegalês em sua principal fonte de vida. Neste início de semestre, a instituição cravou um marco histórico: 95% de toda a sua operação — de laboratórios de ponta a salas de aula, agora é alimentada por energia limpa e renovável.

O projeto, que se consolidou como a maior iniciativa privada do gênero no Amazonas, espalhou um verdadeiro “mar de silício” sobre os telhados de nove prédios no campus do Parque das Laranjeiras. São 6.800 painéis solares trabalhando em sincronia para gerar 400 mil Quilowatts (kW) mensais.

O impacto: Além dos números, uma floresta preservada

Para se ter uma ideia da magnitude, a energia gerada seria suficiente para manter acesas 201 mil lâmpadas simultaneamente ou abastecer uma cidade de pequeno porte. Mas o verdadeiro trunfo não está apenas na economia financeira, e sim no “pulmão” que o projeto ajuda a manter.

Ao abandonar a fonte convencional, a universidade deixa de emitir 5 mil toneladas de CO₂ anualmente. Segundo a Reitora Gisélle Lins Maranhão, o impacto positivo na qualidade do ar e a economia de água (antes usada no resfriamento de termelétricas) equivalem ao benefício ambiental de 30 mil novas árvores plantadas por ano.

“A Nilton Lins é uma instituição amazônica. Nosso compromisso vai além do diploma; é sobre agir para melhorar a vida da sociedade e defender o bioma onde estamos inseridos”, destaca a Reitora.

Tecnologia contra a chuva

Manaus é conhecida por suas chuvas repentinas e intensas, mas o sistema foi projetado para não parar. Segundo Breno Soares Feitoza, responsável técnico da Rio Negro Energia Solar, a tecnologia é resiliente: “Em dias de sol, cada placa opera em potência máxima de 575 watts. Mesmo sob chuva forte, o sistema continua gerando energia, interrompendo a produção apenas durante a noite”, explica.

A universidade só não atingiu os 100% de autonomia por questões técnicas da rede de distribuição local e limitações da legislação vigente, mas o índice de 95% já coloca a instituição no topo da vanguarda sustentável no Brasil.

Um Campus Vivo

A transição energética é a “joia da coroa” de um ecossistema sustentável que já funciona no campus, que inclui:

Mobilidade: Estações de recarga para carros elétricos.

Biodiversidade: Um viveiro de mudas regionais e frutíferas para arborização interna.

Educação: Grades curriculares que integram desenvolvimento sustentável e justiça social em todos os cursos.

Com essa mudança, a Nilton Lins não apenas ensina sobre o futuro; ela prova que o futuro da Amazônia pode e deve ser alimentado pela luz que brilha sobre ela.

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