O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido da Polícia Federal (PF) e prorrogou por mais 60 dias o inquérito que investiga o Banco Master. A decisão, tomada nesta sexta-feira (16), mantém o caso sob sigilo, mas expõe um crescente desgaste na relação entre o magistrado e a cúpula da PF.
Mudança no Cronograma e Pressão
Apesar de conceder mais tempo para as investigações, Toffoli adotou medidas que limitam a atuação da corporação. O ministro reduziu drasticamente o prazo para a coleta de depoimentos dos investigados: o que seria feito em seis dias deverá agora ser concentrado em apenas dois dias consecutivos.
A decisão obriga a PF a apresentar um novo cronograma imediato, antecipando as oitivas que estavam previstas para o final de janeiro.
Desgaste Institucional
O clima de desconfiança ficou evidente na forma como a perícia dos materiais apreendidos na Operação Compliance Zero será conduzida. Toffoli determinou que a extração de dados seja feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR), com acompanhamento da PF.
No entanto, em um gesto que surpreendeu os investigadores, o ministro designou por conta própria quatro peritos da corporação para a tarefa, sem consultar a cúpula da Polícia Federal. Os nomes teriam sido escolhidos com base em recomendações diretas ao gabinete do ministro, e a direção da PF soube da decisão apenas pela imprensa.





