Manaus | 4 de junho de 2026 | 07:38:30

Abandono no Pico Paraná: MP pede indenização contra amazonense que deixou amigo para trás em trilha

CAMPINA GRANDE DO SUL (PR) – O que deveria ser uma aventura de Ano Novo no ponto mais alto do Sul do Brasil tornou-se um drama de sobrevivência e uma batalha judicial. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) formalizou um pedido de indenização contra a amazonense Thayane Smith, acusada de omissão de socorro ao deixar o amigo, Roberto Farias Tomaz, sozinho durante a descida do Pico Paraná no dia 1º de janeiro do ano passado.

Cinco dias de angústia

Roberto e Thayane subiram a montanha para passar a virada de ano. No entanto, durante o retorno, o jovem começou a apresentar sinais severos de exaustão física, incluindo vômitos e extrema dificuldade de locomoção. Diante da neblina densa e da chuva constante, os dois se separaram. Thayane seguiu a descida sozinha e Roberto acabou desaparecendo na mata.

O jovem ficou desaparecido por cinco dias. Sem comida e enfrentando o frio da serra, ele caminhou cerca de 20 quilômetros por áreas de difícil acesso até encontrar uma fazenda no dia 5 de janeiro, onde conseguiu pedir ajuda. “Achei que ia morrer ali”, relatou o jovem na época após ser resgatado com sinais de desidratação e diversos ferimentos.

O entendimento do Ministério Público

Embora a Polícia Civil tenha inicialmente arquivado o inquérito por não visualizar crime, a 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul reabriu a discussão sob uma nova ótica. Para o MP-PR, Thayane tinha plena consciência do estado debilitado do amigo e, como sua parceira de expedição, tinha o dever legal de prestar ou buscar auxílio imediato.

O órgão destaca que outros montanhistas que cruzaram com o grupo teriam alertado a jovem sobre o risco, mas ela teria demonstrado preocupação apenas com o próprio bem-estar. O MP sustenta que houve dolo (intenção) na conduta de abandono, uma vez que a vítima estava em situação de vulnerabilidade extrema em um ambiente hostil.

Responsabilidade Civil e Ética na Montanha

O caso agora tramita na esfera cível, onde o Ministério Público busca a reparação por danos morais e materiais causados a Roberto. No meio do montanhismo, o episódio gerou intensos debates sobre a “lei da montanha”, que prega que nenhum parceiro deve ser deixado para trás, independentemente do ritmo de caminhada.

A defesa de Thayane tem sustentado que não houve intenção de abandono e que as condições climáticas teriam contribuído para a separação dos dois. O caso segue sob análise da Justiça do Paraná.

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