CARACAS – O silêncio da madrugada em Caracas, interrompido por explosões e sobrevoos militares, deu lugar a um coro que não se ouvia com tal força há anos: “Libertad!”. Logo após o anúncio oficial de que Nicolás Maduro foi capturado por forças especiais dos EUA e levado para fora do país, milhares de venezuelanos começaram a ocupar as janelas e ruas de diversos bairros da capital para celebrar o que muitos chamam de “o fim do pesadelo”.
Ocupação das Ruas e Panelaços
Embora o clima ainda seja de extrema cautela devido à presença de agentes de segurança encapuzados e à repressão remanescente do regime, o sentimento de euforia é visível. Em bairros como Chacao e El Hatillo, os tradicionais “cacerolazos” (panelaços) se transformaram em festas improvisadas.
“Não acreditávamos que veríamos este dia. Ainda temos medo, mas hoje o ar parece diferente”, relatou um morador de Petare que preferiu não se identificar por segurança.
O Outro Lado: Repressão e Incerteza
Apesar das celebrações, a situação está longe de ser pacífica. A vice-presidente Delcy Rodríguez e o chanceler Yván Gil classificaram a ação como uma “agressão imperialista” e exigiram provas de vida de Maduro.
Estado de Emergência: O governo fiel a Maduro decretou estado de exceção.
Presença Militar: Tanques e unidades da Guarda Nacional ainda cercam prédios governamentais.
Caos na Infraestrutura: Partes de Caracas, especialmente próximas à base de La Carlota, permanecem sem energia elétrica após os ataques cirúrgicos da madrugada.
Reações Internacionais
Enquanto os venezuelanos celebram, o mundo observa com atenção. O presidente argentino Javier Milei foi um dos primeiros a comemorar, afirmando que “a liberdade avança”. Já o governo do Brasil e da Colômbia expressaram profunda preocupação com a estabilidade da região e convocaram reuniões de emergência na ONU e na OEA.
O Futuro Próximo
A grande incógnita agora é quem assumirá o controle civil do país. Com Maduro a caminho de um tribunal em solo americano, a oposição liderada por Edmundo González Urrutia e Maria Corina Machado é vista como a sucessão natural, embora o vácuo de poder imediato e a resistência de militares chavistas ainda representem um risco real de conflito interno.






