Manaus | 4 de junho de 2026 | 06:26:43

CASO BENÍCIO: Técnica diz ter alertado colega duas vezes antes de aplicação fatal de adrenalina na veia

Raíza, técnica de enfermagem investigada pela aplicação de adrenalina no caso Benício Xavier

A investigação sobre a morte de Benício Xavier, de 6 anos, ganhou novos contornos nesta sexta-feira (6), após o depoimento de uma técnica de enfermagem que reforça a suspeita de erro grave no atendimento realizado no Hospital Santa Júlia, em Manaus. O caso, que já mobiliza o país e terá destaque no Fantástico no próximo domingo, passou a apontar para falhas que poderiam ter sido evitadas.

Segundo o delegado Marcelo Martins, que conduz o inquérito, a profissional relatou à Polícia Civil que alertou a colega Raíza por duas vezes para que não aplicasse adrenalina por via intravenosa, procedimento restrito a situações de parada cardiorrespiratória, o que não era o quadro de Benício. A testemunha afirmou ainda ter entregue o kit de nebulização, conduta adequada para a prescrição feita.

Mesmo assim, de acordo com o depoimento, Raíza teria insistido na aplicação intravenosa. Depois, teria reconhecido que “teimou” e realizou o procedimento incorretamente.

Histórico de resistência a orientações

A mesma técnica contou que Raíza já havia sido retirada de um plantão anteriormente por demonstrar comportamento resistente às orientações de colegas. O relato reforça a suspeita de que a conduta da profissional não foi um erro isolado.

Uma segunda técnica de enfermagem, Nilda Maria, também prestou depoimento nesta sexta-feira no 24º DIP, que concentra as investigações.

Contradições levaram à acareação

O delegado ressaltou que declarações divergentes entre a médica Juliana Brasil e a técnica Raíza motivaram a acareação realizada na quinta-feira (5). Agora, os novos depoimentos ajudam a confrontar as versões e esclarecer a cadeia de decisões que resultou na morte da criança.

Perícia no sistema de prescrição do hospital

Equipes da Polícia Civil também realizaram nesta tarde uma perícia no Hospital Santa Júlia para verificar possível falha no sistema eletrônico de prescrição. A médica Juliana afirma ter registrado adrenalina por nebulização, mas que o sistema teria alterado a via para endovenosa automaticamente.

A defesa apresentou ao Tribunal de Justiça um vídeo que, segundo ela, provaria a falha. O delegado, porém, classificou o material como “inidôneo”, já que foi produzido sem acompanhamento técnico. A perícia oficial buscará determinar se o software possui vulnerabilidades capazes de produzir esse tipo de erro.

Próximos passos

A Polícia Civil seguirá ouvindo todos os profissionais envolvidos no atendimento para montar a linha do tempo dos acontecimentos. A médica Juliana e a técnica Raíza permanecem afastadas cautelarmente de suas funções.

O Caso Benício segue repercutindo em todo o país e se torna um dos episódios mais graves envolvendo erro em ambiente hospitalar nos últimos anos.

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