O senador Flávio Bolsonaro (PL) visitou nesta terça-feira (2/12) seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília desde 22/11. Ao deixar o local, Flávio afirmou que atualizou o pai sobre a crise política que tomou conta do PL e expôs um atrito entre ele, seus irmãos e Michelle Bolsonaro, motivado pelo debate sobre um possível apoio do partido ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo do Ceará.
Segundo o senador, Bolsonaro havia visto apenas fragmentos da polêmica pela TV da cela, onde tem acesso apenas a canais abertos. Flávio contou que explicou todo o contexto ao pai, mas garantiu que a situação já foi apaziguada. Em um vídeo divulgado após a visita, o senador afirmou que ele e Michelle conversaram e se resolveram: “Pedi desculpas a ela, ela também pediu desculpas. Está tudo superado.”
Flávio declarou ainda que o episódio serviu como alerta e que o grupo político vai reorganizar a forma como toma decisões internas. “Vamos ter uma reunião no PL para estabelecer uma rotina de decisões em conjunto. No Ceará, assim como em outros estados, não havia nada definido. Agora, tudo será discutido entre nós antes de o presidente Bolsonaro dar a palavra final. O lado bom é que isso não vai se repetir.”
A visita de 30 minutos foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entenda a crise
O conflito teve início após Michelle Bolsonaro criticar publicamente, no último domingo (30/11), a aproximação do PL do Ceará com Ciro Gomes durante um evento do partido em Fortaleza. A ex-primeira-dama reprovou a possibilidade de apoio a Ciro, o que irritou os filhos do ex-presidente.
Flávio foi o primeiro a responder, classificando as falas de Michelle como “autoritárias e constrangedoras”. Carlos e Eduardo também demonstraram insatisfação.
Diante da repercussão, a cúpula do PL convocou para esta terça-feira uma reunião emergencial com Michelle, Flávio, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, para tentar conter o desgaste interno.
Michelle também se manifestou nas redes sociais, afirmando que não poderia apoiar “um homem que tanto mal causou ao meu marido e à minha família”. A ex-primeira-dama frisou que respeita o posicionamento dos enteados, mas defendeu seu direito de expressar sua opinião. “Antes de ser líder política, sou mulher, mãe e esposa”, escreveu.
Visitas autorizadas
Moraes também autorizou que Michelle e Laura, filha caçula do ex-presidente, visitem Bolsonaro na PF na quinta-feira (4/12). O vereador Carlos Bolsonaro está autorizado a visitá-lo no mesmo dia, mas em horário separado.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses por condenação relacionada à liderança de uma trama golpista.





