Na madrugada de sábado (22/11), por volta das 4h, uma mulher de 31 anos foi atropelada propositalmente por um adolescente de 17 anos em Pedregulho, a cerca de 40 km de Franca. O episódio ocorreu em frente a um bar, onde a vítima conversava com amigos.
Câmeras de segurança registraram o momento em que o veículo avançou em alta velocidade contra a mulher, arrastando-a por alguns metros presa ao capô antes de ela cair na rua. Frequentadores do bar correram para socorrê-la, e apesar da gravidade do ataque, a vítima sofreu apenas ferimentos leves.
A Polícia Civil instaurou inquérito na terça-feira (25/11) para apurar as circunstâncias do atropelamento, suspeitando que o crime tenha sido premeditado após um desentendimento envolvendo o motorista e a vítima por causa de um relacionamento da afilhada dela. Até o momento, ninguém foi apreendido ou preso.
O relato da vítima
Em depoimento, a mulher, que preferiu não se identificar, contou que havia ido levar uma amiga da afilhada para casa, no bairro Santa Cruz, quando se deparou com o ex-namorado da jovem dirigindo em alta velocidade. Segundo ela, por pouco não foram atingidos pelo veículo nessa ocasião.
Mais tarde, ao voltar ao bar, ela reencontrou o suspeito acompanhado de um amigo, que teria demonstrado disposição de “passar por cima” das pessoas presentes. Foi nesse momento que a mulher acabou sendo atingida pelo carro.
“Ele [amigo] entendeu que queríamos bater no ex da minha afilhada e disse que tinha disposição para passar por cima de nós. Aí nós não demos bola, continuamos conversando. Aí ele [amigo] veio em alta velocidade e me mandou longe”, relatou a vítima à polícia.
Investigação
O delegado Davi Abmael Davi, responsável pelo caso, aponta que o atropelamento pode ter sido uma tentativa de feminicídio, motivada por ciúmes e desentendimentos pessoais. A Polícia Civil trabalha com imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e informações sobre ameaças anteriores feitas pelo suspeito para esclarecer os fatos e localizar o adolescente.
Violência contra a mulher: uma realidade cotidiana
O episódio é mais um exemplo da crescente violência de gênero no Brasil. Embora não tenha resultado em morte, ataques como esse refletem padrões de comportamento abusivo e violência extrema, que, mesmo com leis mais rigorosas e mobilizações sociais, continuam se repetindo diariamente.
Estatísticas mostram que milhares de mulheres são vítimas de agressões graves todos os anos, muitas vezes motivadas por ciúme, possessividade ou término de relacionamento. Segundo dados recentes, cerca de 4 mulheres por dia morrem em razão do gênero, e centenas mais sobrevivem a tentativas de feminicídio, mostrando que a ameaça é constante.
Apesar da existência de leis, campanhas de conscientização e organizações de apoio, o problema persiste, evidenciando que a violência de gênero vai além da punição penal, está profundamente ligada à cultura de machismo, desigualdade e falhas na rede de proteção.
Reflexo e urgência
Casos como o de Pedregulho mostram que o combate à violência contra a mulher precisa ser contínuo e efetivo, não apenas simbólico. Denúncias, acompanhamento das vítimas, educação de gênero e atuação policial rápida são ferramentas essenciais para prevenir tragédias.
A sobrevivência da jovem é uma oportunidade de reflexão: cada tentativa de feminicídio alerta para a urgência de transformar leis em proteção real, de fazer com que a cultura de violência seja enfrentada todos os dias e que histórias como essa não se repitam.






