Manaus | 26 de julho de 2026 | 19:45:23

O erro que calou Benício: denúncia de dosagem incorreta de adrenalina leva família a pedir justiça

A morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, chocou Manaus e mobilizou pedidos de investigação depois que seus pais denunciaram que o menino recebeu uma dosagem incorreta de adrenalina aplicada por via intravenosa no Hospital Santa Júlia. O caso ocorreu entre sábado (23) e a madrugada de domingo (24) e está sob apuração da Polícia Civil.


Segundo o pai, Bruno Freitas, Benício foi levado ao hospital apresentando tosse seca e suspeita de laringite. A médica plantonista teria prescrito lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos. A família relatou que questionou a técnica de enfermagem sobre a aplicação, afirmando que a criança nunca havia recebido adrenalina pela veia, apenas por nebulização. “Ela disse que nunca tinha aplicado por via intravenosa, mas que seguiria a prescrição”, relatou o pai.


Após a primeira dose, Benício apresentou piora imediata, com palidez, extremidades amareladas, vermelhidão no nariz e nos olhos e queixas de dor intensa. A equipe o encaminhou para a sala vermelha, onde o estado se agravou rapidamente.


A oxigenação caiu para cerca de 75%, uma segunda médica assumiu o monitoramento e, diante da instabilidade, foi solicitado um leito de UTI. O menino foi transferido ainda no início da noite.


Na UTI, o quadro piorou. A equipe informou que seria necessária a intubação, realizada por volta das 23h. Durante o procedimento, Benício apresentou as primeiras paradas cardíacas. O pai afirma que a médica falou em duas paradas, mas a enfermeira corrigiu dizendo que foram três.


O sangramento observado teria sido consequência de vômito durante a intubação, segundo o relato. A partir daí, Benício enfrentou uma sequência dramática de eventos: quarta, quinta e sexta paradas cardíacas, todas presenciadas pelos pais. O menino chegou a reagir e retornar algumas vezes, mas já demonstrava sinais de extremo sofrimento.
Na última parada, o sangramento aumentou, e apesar das manobras, Benício não resistiu. Ele morreu às 2h55 da madrugada de domingo.
Os pais afirmam que a médica reconheceu falhas:


“Ela disse que foi erro de sistema e erro da enfermagem. Mas tudo estava prescrito por ela”, declarou o pai.
A família afirma que a dose aplicada não correspondia ao quadro clínico do menino.
“Ele só tinha tosse seca. Essa dose é para quem está infartando”, disse Bruno.


O caso foi registrado no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde os pais prestaram depoimento. A família pede justiça e medidas que impeçam novas tragédias.
“O que a gente quer é que isso nunca mais aconteça. Não desejamos essa dor para ninguém”, afirmou o pai.


O que diz o hospital
Em nota, o Hospital Santa Júlia declarou que o caso passará por análise técnica detalhada pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente e que a instituição está à disposição das autoridades.

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