Manaus | 4 de junho de 2026 | 06:26:31

Golpes com Pix ficam mais difíceis: nova regra amplia devolução de valores e passa a ser obrigatória em 2026

foto: MAURO PIMENTEL. via: Getty Images

A tentativa de enganar usuários do Pix acaba de ganhar um novo obstáculo. Entrou em vigor uma mudança importante no Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta criada pelo Banco Central para permitir que vítimas de golpe recuperem o dinheiro enviado por engano ou fraude. A novidade promete fechar uma das brechas mais exploradas por criminosos e se tornará obrigatória para todos os bancos e instituições de pagamento a partir de 2 de fevereiro de 2026.

O que muda na prática

Até agora, a devolução de valores só podia ser feita pela conta que recebeu originalmente o Pix fraudulento. Isso favorecia golpistas, que rapidamente esvaziavam essa conta e repassavam o dinheiro para outros destinos, dificultando o ressarcimento.

Com a nova regra, o MED passa a permitir que a devolução seja feita a partir de outras contas envolvidas na cadeia de transferências, mesmo que o dinheiro já tenha sido pulverizado em várias etapas para tentar esconder sua origem.

O Banco Central afirma que, com o rastreamento ampliado, será possível efetuar a devolução em até 11 dias após a contestação, um avanço significativo diante da agilidade dos fraudadores.

Por que isso é importante

A mudança ataca um dos métodos mais comuns em golpes digitais: a “lavagem” rápida de valores via múltiplas contas, muitas vezes laranjas. Agora, essas etapas deixam de servir como escudo, já que o MED vai permitir identificar onde o dinheiro passou e bloquear os recursos quando ainda houver saldo.

Regras continuam rígidas

Criado em 2021, o MED só pode ser acionado em situações específicas, como:

fraudes comprovadas,
erros operacionais cometidos pela instituição financeira.

A ferramenta não vale para:

conflitos comerciais,
disputas entre pessoas de boa-fé,
situações em que o próprio usuário erra ao digitar uma chave ou enviar para a pessoa errada.

Obrigatoriedade em 2026

Por enquanto, a adesão ao novo MED é opcional para as instituições financeiras. Mas, em 2026, todos os participantes do ecos­sistema Pix terão de implementar o sistema, o que deverá aumentar a padronização e a eficácia das devoluções.

Impacto para o usuário

Na prática, quem cair em um golpe terá mais chances reais de recuperar o dinheiro, desde que faça a contestação rapidamente. Para os golpistas, o cenário se torna muito menos favorável: esconder rastros ficará cada vez mais difícil.

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