A China intensificou de forma significativa o controle sobre atividades religiosas em todo o país, ampliando restrições tanto na internet quanto em encontros presenciais realizados em casas, garagens e pequenos grupos. A nova fase da repressão atinge especialmente cristãos de igrejas domésticas conhecidas como house churches e outras comunidades que não são reconhecidas oficialmente pelo Estado.
Nos últimos meses, autoridades chinesas passaram a realizar batidas em residências onde ocorriam cultos privados, interrompendo orações, confiscando materiais religiosos e detendo pastores e fiéis. Em algumas regiões, moradores relataram que o governo instalou câmeras de vigilância na entrada de casas onde grupos religiosos costumavam se reunir, além de reforçar sistemas de monitoramento nas ruas e edifícios.
Em determinados locais, as reuniões passaram a ser limitadas a poucas pessoas, e encontros com mais de 7 ou 8 adultos já são motivo para intervenção policial.Paralelamente à repressão física, o governo chinês publicou um rigoroso conjunto de regras para controlar práticas religiosas na internet. O novo “Código de Conduta para Clérigos no Ciberespaço” proíbe transmissões ao vivo de cultos, vídeos de pregação, reuniões virtuais, rituais religiosos online e qualquer forma de ensino religioso digital, a menos que ocorram em plataformas oficiais supervisionadas pelo Estado.
Atividades como meditações espirituais, retiros virtuais, orações coletivas e treinamentos religiosos também foram vetadas quando feitas pela internet fora de canais licenciados.As restrições incluem ainda a proibição do uso de inteligência artificial para fins de evangelização, além do bloqueio de pedidos de doações religiosas em plataformas digitais não autorizadas. Para publicar conteúdos de fé, líderes religiosos precisam comprovar suas credenciais diretamente às plataformas de tecnologia, ficando impedidos de se comunicar como representantes religiosos sem permissão expressa do governo.
Organizações internacionais afirmam que as medidas fazem parte de um processo mais amplo de “sinicização” das religiões política que busca moldar todas as práticas de fé de acordo com diretrizes ideológicas estatais. Relatórios de direitos humanos indicam que detenções, vigilância intensa, fechamento de igrejas e repressão a cultos caseiros têm aumentado, especialmente contra grupos protestantes independentes.
Embora o governo chinês negue perseguição religiosa e afirme que as ações servem para “manter a ordem” e combater “atividades ilegais”, fiéis relatam medo crescente, cultos interrompidos e vigilância constante.
Tanto no ambiente digital quanto dentro das casas, a liberdade religiosa enfrenta o período mais restrito das últimas décadas.





