A COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que começou em Belém (PA) nesta segunda-feira (10), está sob fogo cruzado. A construção de uma nova via expressa de quatro faixas para o evento é alvo de críticas de ativistas e comunidades locais, que alegam que o desmatamento causado pela obra é uma flagrante contradição aos princípios da conferência climática, especialmente em contraste com a defesa que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz do evento como a “COP da verdade”.
Desmatamento em Área Sensível
Enquanto o Presidente Lula usou seu discurso de abertura para defender a ciência e a redução do desmatamento, a infraestrutura criada para receber o público do evento (mais de 50 mil pessoas) exigiu o desmatamento de uma área que se estende por mais de 13 quilômetros.
A região afetada, que abrigava diversas plantas tropicais e era o habitat de centenas de espécies, levanta sérias preocupações sobre o dano ecológico imediato em um estado crucial para a preservação da Amazônia. Em visita anterior às obras, Lula defendeu que o investimento não é “só para a COP”, mas para a infraestrutura permanente da cidade.
Impacto Social: Colheita de Famílias foi Destruída
O dano não é apenas ambiental, mas também social. O morador Cláudio Verequete, que reside próximo ao local, deu um depoimento amplamente divulgado, destacando a perda de sua fonte de renda.
“Tudo foi destruído, nossa colheita já foi derrubada. Não temos mais essa renda para sustentar nossa família,” afirmou Verequete, que colhia açaí das árvores que ocupavam a região.
O temor da comunidade se estende à especulação imobiliária, com a preocupação de que a área desmatada seja utilizada futuramente para empreendimentos como postos de gasolina ou galpões, forçando os moradores tradicionais a se deslocarem.






