O parlamentar é acusado de envolvimento em um esquema de “rachadinha”, prática que consiste em exigir de assessores a devolução de parte dos salários pagos com recursos públicos. Ele também é investigado por peculato, concussão, lavagem de dinheiro, organização criminosa e posse ilegal de arma de fogo.
Durante a votação, 21 vereadores votaram contra a cassação, 11 foram favoráveis, oito não compareceram e um parlamentar se absteve. Com o resultado, Bual mantém o cargo, mesmo estando preso preventivamente e sem exercer suas funções legislativas desde a deflagração da operação.
Como votaram os vereadores
Entre os que votaram a favor da cassação estão: Rodrigo Guedes (PP), Rodrigo Sá (PP), Saimon Bessa (UB), Coronel Rosses (PL), Carpê Andrade (PL), Sargento Salazar (PL), José Ricardo (PT), Amauri Gomes (PL), Diego Afonso (UB), Ivo Neto (PMB) e Paulo Tyrone (PMB).
Já os contrários à perda do mandato foram: Eurico Tavares (PSD), Roberto Sabino (Republicanos), João Paulo Janjão (AGIR), Elan Alencar (DC), Raulzinho (MDB), Eduardo Alfaia (Avante), Gilmar Nascimento (Avante), Sérgio Baré (PRD), Rodinei Ramos (Avante), Thaysa Lippy (PRD), Raiff Matos (PL), Everton Assis (UB), Professor Samuel (PSD), Allan Campelo (Podemos), Mitoso (MDB), Marcelo Serafim (PSB), Rosivaldo Cordovil (PSDB), Dione Carvalho (AGIR), Marco Castilhos (UB), João Carlos (Republicanos) e Aldenor Lima (UB).
O vereador Jander Lobato (Avante) não participou da votação, e oito parlamentares estavam ausentes.
O que revelou a Operação Face Oculta
A Operação Face Oculta foi deflagrada pelo MPAM no início de outubro e cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e dois de prisão, incluindo a de Rosinaldo Bual. Durante as diligências, os agentes localizaram três cofres — um na casa do vereador, outro na residência da mãe e um terceiro em um sítio da família.
De acordo com o Ministério Público, o parlamentar se recusou a fornecer as senhas dos cofres, que foram encaminhados à sede do órgão e abertos com apoio do Corpo de Bombeiros. No interior, os investigadores encontraram R$ 390 mil em espécie, dois cheques que somavam mais de R$ 500 mil, além de documentos e passaportes.
O MPAM afirma que o material reforça as suspeitas de enriquecimento ilícito e desvio de recursos públicos.
Bual segue preso após negativa de habeas corpus
A defesa do vereador entrou com um pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foi negado. Com isso, Rosinaldo Bual segue detido enquanto as investigações continuam.
O caso gerou forte repercussão política e social em Manaus. A decisão da Câmara de manter o mandato do vereador tem sido criticada por setores da sociedade civil, que veem o resultado como um retrocesso no combate à corrupção.
Repercussão e críticas
Parlamentares que votaram a favor da cassação afirmaram que a manutenção do mandato “fere a imagem da Casa” e “compromete a confiança da população na Câmara Municipal”.
Já aliados de Bual argumentaram que a cassação seria precipitada, uma vez que o processo judicial ainda está em andamento e não houve condenação definitiva.
O MPAM ainda não se pronunciou sobre a decisão da Câmara, mas fontes próximas ao órgão indicam que as investigações seguem em curso e podem resultar em novas denúncias.






