Manaus | 4 de junho de 2026 | 06:28:59

“Eu vou interferir, sim!”: Gonet pede reabertura de inquérito contra Bolsonaro por pressão na PF

Jair Bolsonaro. Arthur Menescal/Bloomberg via GettyImages

A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a reabertura do inquérito que investiga a suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal (PF). A solicitação, feita nesta quarta-feira (15) pelo procurador-geral Paulo Gonet, propõe uma investigação “com maior amplitude” do caso, com foco em novas conexões com as chamadas milícias digitais.

O inquérito teve origem em 2020, após denúncia do então ministro da Justiça Sergio Moro (União-PR), que acusou Bolsonaro de tentar usar a PF para proteger aliados e familiares. Na época, a Polícia Federal não encontrou provas conclusivas, e o ex-procurador-geral Augusto Aras arquivou o caso, decisão que agora é questionada por Gonet.

O principal elemento da investigação é a reunião ministerial de 22 de abril de 2020, cujo vídeo se tornou público por ordem do STF. No encontro, Bolsonaro foi gravado afirmando explicitamente sua intenção de interferir na Polícia Federal. A declaração mais emblemática e que virou peça central do inquérito foi:

“Eu vou interferir, sim! Se não puder trocar alguém da segurança, troca! Troca o chefe, troca quem for!”

Outras frases ditas por Bolsonaro na mesma reunião reforçam o teor da acusação:

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui. Acabou!”

“Não vou esperar foderem minha família ou meus amigos. Chega! Eu vou intervir!”

“Se a PF não me dá informações, eu troco o chefe da PF. Vai trocar! Se não trocar, troca o ministro!”

“Eu tenho o poder de trocar. Vou intervir e ponto final.”

Essas falas foram utilizadas pela PGR e pelo STF como indícios de uso político da PF, o que ligaria Bolsonaro a outros inquéritos, como o das milícias digitais, das fake news e dos atos antidemocráticos.

Segundo Gonet, há “elementos de conexão” entre o caso da interferência na PF e as investigações sobre a rede de aliados e ex-assessores do ex-presidente. A decisão final sobre a reabertura cabe ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.

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