A Zona Franca de Manaus (ZFM) vive um novo ciclo de inovação. Se antes o polo industrial era reconhecido sobretudo pela montagem de eletroeletrônicos, agora a Inteligência Artificial (IA) desponta como motor de produtividade e competitividade.
Indústrias locais já colhem resultados expressivos. A Componel Indústria e Comércio implantou um sistema de IA para monitoramento de máquinas e registrou aumento de 8,49% no indicador de eficiência geral de equipamentos (OEE). A GBR Componentes também investiu em monitoramento inteligente, reduzindo perdas e otimizando processos.
No setor público, a transformação digital avança com o projeto VitórIA, desenvolvido pelo Ministério Público do Amazonas em parceria com a UEA. A plataforma, orçada em R$ 4,3 milhões, utiliza arquitetura de IA para triagem de denúncias, elaboração de peças jurídicas e análise de vídeos de audiências. Outro exemplo é o chatbot criado pela UEA para a Suframa, que facilita o acesso à legislação da Zona Franca.
Grandes empresas de tecnologia também apostam em Manaus. A Positivo Tecnologia iniciou a produção de notebooks, tablets e placas-mãe voltadas para aplicações de IA. A Foxconn, uma das maiores fabricantes globais, avalia ampliar investimentos em soluções inteligentes no Distrito Industrial.
De acordo com dados da Suframa, só em 2023, empresas da ZFM investiram R$ 1,59 bilhão em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) por meio da Lei de Informática. Parte desse montante foi destinada a projetos ligados à Inteligência Artificial.
Apesar dos avanços, desafios permanecem: necessidade de maior qualificação da mão de obra, investimentos em infraestrutura e integração entre universidades, empresas e governo. Ainda assim, especialistas apontam que o polo industrial começa a deixar para trás a imagem de simples montador e se consolida como espaço de desenvolvimento tecnológico de ponta.






