Manaus | 27 de julho de 2026 | 18:06:23

Bolsonaro tenta calar Eduardo para salvar negociação por anistia mas filho desafia e aumenta ataques

Com dificuldades para avançar em uma articulação política que possa resultar em uma anistia ou flexibilização das punições impostas pelo Judiciário, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estaria tentando conter o próprio filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem adotado discursos cada vez mais agressivos contra o STF e lideranças institucionais.

Segundo aliados próximos ao ex-presidente, Bolsonaro tem usado interlocutores, já que está proibido de manter contato direto com Eduardo por decisão do Supremo para tentar convencer o filho a adotar uma postura mais moderada. O recado seria claro: reduzir os ataques e “baixar o tom”, especialmente em temas sensíveis como as eleições de 2022, o Judiciário e os militares.

Entre os encarregados de entregar o pedido está o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que viajou recentemente aos Estados Unidos, onde Eduardo Bolsonaro estava, para uma conversa pessoal. A tentativa, porém, não teve o resultado esperado. Segundo relatos de bastidores, o filho do ex-presidente não apenas rejeitou a ideia de moderação, como reforçou as críticas, afirmando que Bolsonaro estaria “refém” do sistema.

Desde que Bolsonaro foi declarado inelegível pelo TSE, a ala mais pragmática do PL e do bolsonarismo tenta costurar acordos que evitem novas investigações ou punições mais severas contra aliados do ex-presidente. Para isso, evitam confrontos diretos com ministros do STF e líderes institucionais. Eduardo, no entanto, tem feito exatamente o contrário dobrado a aposta em discursos inflamados.

Em agendas públicas e redes sociais, o deputado tem criticado abertamente ministros como Alexandre de Moraes, além de liderar movimentos que pedem intervenção no sistema eleitoral e questionam decisões do Judiciário. A postura estaria dificultando articulações internas e criando desconforto até dentro da cúpula do PL.

Embora os embates entre pai e filho não sejam públicos, a tensão nos bastidores é real. Bolsonaro tenta se manter relevante politicamente e, ao mesmo tempo, evitar novas crises que comprometam sua estratégia jurídica. Eduardo, por outro lado, parece seguir em linha própria, assumindo um papel mais combativo, mesmo que isso custe os planos de reabilitação política do pai.

A crise familiar, portanto, deixa de ser apenas doméstica e passa a ter reflexos diretos na política nacional em especial nas estratégias da direita para as eleições de 2026.

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