Em entrevista ao programa Conversa Vai, Conversa Vem, a atriz Paolla Oliveira revelou que sua relação com o álcool mudou profundamente após assumir o papel de uma alcoólatra na novela Vale Tudo. No ar atualmente na TV Globo, Paolla interpreta Heleinha Hoitmann, uma mulher de classe alta que enfrenta, em silêncio, a dependência do álcool, tema sensível e ainda cercado de tabus na sociedade brasileira.
Durante a conversa com a jornalista Maria Fortuna, Paolla foi questionada se o papel afetou sua visão sobre o álcool e o vício. A resposta foi direta e carregada de sinceridade:
“Sim, minha relação mudou. Acho que fiquei mais consciente do perigo do álcool, do quanto ele está presente nas relações sociais, do quanto ele é banalizado, mas ao mesmo tempo destrói famílias, histórias, pessoas…”
A atriz destacou ainda que, ao estudar e viver a personagem, passou a observar o impacto silencioso do alcoolismo no cotidiano e como muitos comportamentos que antes pareciam inofensivos carregam traços de dependência.
“É muito fácil usar o álcool como válvula de escape, como anestesia… e foi exatamente isso que a personagem me mostrou. Hoje penso muito mais antes de beber, e percebo o quanto é importante olhar para isso com mais responsabilidade”, completou.
Quando a arte provoca reflexão
Interpretar Heleinha tem sido, para Paolla, uma experiência transformadora. A personagem não é caricata, tampouco romantizada. A novela escolheu mostrar o alcoolismo como ele é: silencioso, progressivo e muitas vezes negado — inclusive por quem vive o problema.
O enredo mostra como Heleinha usa o álcool para escapar da solidão, da pressão social e das frustrações pessoais. Ao mesmo tempo, evidencia como a sociedade normaliza o consumo, dificultando que o problema seja reconhecido como tal.
Álcool: um vício socialmente aceito
A fala de Paolla ressoa com um ponto cada vez mais debatido por especialistas em saúde mental: o álcool é uma das drogas mais consumidas no mundo, mas também uma das mais naturalizadas.
Está em festas, confraternizações, jantares, comemorações e por isso, muitas vezes, os sinais de dependência passam despercebidos. A arte, ao abordar o tema com seriedade, ajuda a quebrar o silêncio e promover o debate.
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