Depois da pressão das ruas no último domingo (21), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), voltou atrás e declarou nesta segunda-feira (22) que chegou o momento de “tirar da frente todas essas pautas tóxicas”, referindo-se à PEC da Blindagem e ao projeto de anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro — inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As manifestações, que tomaram conta das capitais brasileiras, foram uma resposta direta à aprovação-relâmpago na Câmara da PEC que protege parlamentares de processos judiciais e à tentativa de acelerar a tramitação da anistia.
“Talvez a Câmara tenha tido, na semana passada, a mais difícil e desafiadora. Mas decidimos tirar essas pautas tóxicas porque ninguém aguenta mais essa discussão”, afirmou Motta em um evento do mercado financeiro em São Paulo.
A reação popular foi imediata: nas redes sociais e nas ruas, o tom era de indignação com o que foi visto como um pacote de impunidade vindo do Congresso.
Opinião pública derrubou a blindagem?
Segundo o blog da jornalista Andréia Sadi, o barulho feito pelos protestos e a repercussão negativa na sociedade enterraram, ao menos por enquanto, qualquer chance da PEC da Blindagem ser aprovada no Senado.
Ainda assim, Motta defendeu a proposta, dizendo que a Câmara “tem o direito de proteger o exercício parlamentar”. Apesar disso, se comprometeu a respeitar a posição dos senadores, que já demonstram resistência à medida.
Prioridades mudaram?
Após a recuada estratégica, o presidente da Câmara diz agora que o foco será em pautas como a reforma administrativa, segurança pública e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil — cuja votação deve acontecer na próxima semana.
Apesar da mudança de discurso, Motta ainda criticou a imprensa por, segundo ele, priorizar “a pauta do conflito”.
“A pauta que vemos no noticiário liderar é sempre a que anima os polos e deixa assuntos importantes em segundo plano”, disse.
Democracia nas ruas
O parlamentar encerrou dizendo que vê com bons olhos tanto os protestos contrários quanto os favoráveis à anistia, considerando ambos sinal de uma democracia ativa.
“Isso mostra que a nossa população está nas ruas defendendo aquilo em que acredita. Tenho um respeito muito grande pelas manifestações populares”, afirmou.






