A operação da Polícia Federal no Rio Madeira, que destruiu mais de 70 dragas de garimpo entre Manicoré e Humaitá, abriu um debate acalorado no Amazonas. Se, por um lado, a ação tinha respaldo judicial para coibir a mineração ilegal, por outro, políticos e lideranças locais denunciaram o modo truculento com que a população ribeirinha foi tratada.
O senador Omar Aziz (PSD-AM) repudiou o caráter “pirotécnico” da operação, criticou o uso de explosivos e questionou a falta de transparência sobre prisões e provas que embasaram a ação.
Na Assembleia Legislativa, o presidente Roberto Cidade (União Brasil) disse que não é contra o combate ao garimpo ilegal, mas classificou a atuação como excessiva, atingindo inocentes com bombas e balas de borracha. Defendeu diálogo e alternativas econômicas para as comunidades.
O senador Plínio Valério (PSDB-AM) ressaltou que muitas balsas destruídas serviam de moradia para famílias e classificou a ação como injusta e desproporcional. Para ele, o saldo foi mais prejuízo social e ambiental do que solução.
A senadora Damares Alves (Republicanos) reforçou a necessidade de sensibilidade, cobrando cuidado especial com crianças e moradores que ficaram expostos às explosões. Segundo ela, combater o garimpo é necessário, mas não à custa da população.
No parlamento estadual, o deputado Rozenha (PMB) disse que a operação foi “truculenta, desumana e desrespeitosa”, acusando a PF de mirar comunidades humildes em nome do combate ao crime organizado. Já o deputado Adjuto Afonso (União Brasil) chamou de “brutalidade” o uso de explosivos próximo a embarcações de moradores, pedindo que a ALE-AM repudie formalmente a ação.
A empresária e pré-candidata ao governo do estado, Maria do Carmo Seffair (PL-AM), também se posicionou contra o que chamou de “operação espetaculosa do governo Lula”. Para ela, o combate ao garimpo é legítimo, mas não pode se transformar em terror contra ribeirinhos. Maria do Carmo destacou que o episódio aconteceu no mesmo dia da festa da padroeira de Manicoré, quando moradores teriam sido intimidados com gás de pimenta. Ela ainda ampliou as críticas ao governo federal, acusando de perseguir o desenvolvimento do Amazonas em temas como a BR-319, o potássio, o ouro e o agronegócio.
Assim, Omar Aziz, Roberto Cidade, Plínio Valério, Damares Alves, Rozenha, Adjuto Afonso e Maria do Carmo Seffair se colocaram como vozes de defesa da população ribeirinha, criticando os excessos da Polícia Federal e cobrando um modelo de combate ao garimpo que respeite os direitos das comunidades e não transforme a região em palco de guerra.






