Manaus | 28 de julho de 2026 | 06:58:45

PF no alvo: o que transformou a operação no Rio Madeira em caso de revolta popular

A ação da Polícia Federal no Rio Madeira, entre os municípios de Manicoré e Humaitá, gerou indignação e abriu uma onda de críticas sobre a forma como foi conduzido o combate ao garimpo ilegal na região. O que deveria ser apenas mais uma ofensiva contra a mineração clandestina acabou sendo acusado de truculência e deixou a corporação em choque com a população local.

Na manhã do dia 15 de setembro, policiais federais, rodoviários federais e agentes da Força Nacional, com apoio do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho e Emprego, cumpriram ordem judicial da Justiça Federal do Amazonas para destruir balsas e dragas usadas no garimpo. Até o meio da manhã, 71 dragas haviam sido explodidas apenas no Amazonas.

Denúncias de abuso

Relatos de ribeirinhos apontam que a operação ultrapassou o perímetro das áreas de mineração e atingiu comunidades próximas, causando pânico em famílias. Moradores relatam uso de gás lacrimogêneo, balas de borracha e explosões sem aviso prévio, que impactaram até escolas e crianças que vivem às margens do rio.

A Defensoria Pública do Amazonas pediu o fim do uso de explosivos, alertando para riscos ambientais e para a segurança de moradores. Parlamentares estaduais classificaram a ação como “truculenta” e “desumana”.

Repercussão política

Na Assembleia Legislativa do Amazonas, o presidente Roberto Cidade e deputados como Rozenha e Adjuto Afonso subiram o tom contra a forma como a operação foi conduzida. No Senado, os senadores Plínio Valério e Damares Alves cobraram esclarecimentos do Ministério da Justiça e a Comissão de Direitos Humanos aprovou diligência em Humaitá e Manicoré para investigar possíveis violações de direitos humanos.

Defesa da operação

A Polícia Federal defende que agiu dentro da legalidade e com autorização judicial para o uso de explosivos. A corporação alega que a destruição das dragas é necessária para combater a degradação ambiental causada pela mineração ilegal e que a ação foi coordenada pelo Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia.

O saldo da polêmica

O episódio escancarou a tensão entre a necessidade de combater o garimpo ilegal e os impactos sociais de operações dessa magnitude. Enquanto a PF insiste na legalidade da ação, moradores e parlamentares questionam a falta de cuidado com a população ribeirinha, que se viu no meio de explosões e operações militares.

No fim, o que era para ser um exemplo de combate ao crime ambiental acabou se transformando em um caso de revolta popular, deixando a Polícia Federal no alvo da opinião pública e com a imagem arranhada junto às comunidades da região.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Espaço Publicitário

Últimas postagens