Uma pequena ferida no rosto que não cicatriza e sangra com facilidade pode parecer inofensiva, mas pode indicar o tipo mais comum de câncer de pele: o carcinoma basocelular. Apesar de ter baixa letalidade, o tumor pode causar deformações significativas se não for tratado adequadamente.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2 e 3 milhões de casos de câncer de pele não melanoma são diagnosticados anualmente no mundo. No Brasil, esse tipo de câncer representa cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
“O câncer de pele é o mais comum entre os seres humanos. É mais frequente que os de próstata ou mama. Em algum momento da vida, a maioria das pessoas pode ser diagnosticada com algum tipo de câncer de pele”, explica o dermatologista Andrey Malvestiti, do Hospital Israelita Albert Einstein.
O carcinoma basocelular, responsável por cerca de 80% dos casos de câncer de pele, é uma lesão maligna de crescimento lento e que raramente apresenta metástase. Ainda assim, pode se espalhar localmente, atingindo tecidos próximos e exigindo cirurgias mais complexas e com consequências estéticas importantes.
Sinais de alerta: o que observar na pele?
O principal sintoma que leva pacientes ao consultório médico é o sangramento persistente de uma lesão que não cicatriza. Em geral, o carcinoma basocelular aparece nas áreas mais expostas ao sol, como rosto, orelhas, braços e pernas. É mais frequente em pessoas de pele clara, com mais de 40 anos, especialmente aquelas que foram expostas ao sol sem proteção durante a infância e adolescência.
“Se uma ferida na pele não cicatrizar completamente em duas ou três semanas e sangrar com facilidade, é preciso procurar um dermatologista. Machucados comuns não demoram mais de um mês para cicatrizar”, alerta Malvestiti.
O diagnóstico geralmente é feito em consultório com o auxílio do dermatoscópio, aparelho que amplia a imagem da lesão. A confirmação é feita por biópsia.
Tratamento e cura
Apesar do nome assustar, o carcinoma basocelular tem altíssimas chances de cura. O tratamento padrão é cirúrgico e, na maioria dos casos, realizado com anestesia local, em ambiente ambulatorial. O objetivo é remover toda a lesão, junto com uma margem de segurança ao redor.
Em casos específicos, também podem ser usados outros métodos, como crioterapia (com nitrogênio líquido), curetagem com eletrocoagulação, laser e radioterapia.
“O carcinoma basocelular não costuma se espalhar pelo corpo, mas ele cresce. Quanto maior a lesão, mais difícil a cirurgia e maiores os danos estéticos e funcionais. Em alguns casos, pode até comprometer a visão, por exemplo, se o tumor estiver próximo aos olhos”, explica o especialista.
Prevenção é o melhor remédio
A principal forma de prevenção é a proteção contra os raios ultravioleta. O uso diário de protetor solar, mesmo em dias nublados, é essencial. Além disso, é recomendável evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 14h e utilizar barreiras físicas como roupas com proteção UV, bonés e óculos escuros.
Outra recomendação é visitar o dermatologista regularmente, pelo menos uma vez por ano, mesmo sem apresentar sintomas. “O ideal é que o exame de pele seja feito com o paciente despido, para que o médico possa verificar áreas que normalmente passam despercebidas, como as costas ou as pernas”, destaca Malvestiti.
A detecção precoce ainda é a principal aliada no combate ao câncer de pele, garantindo tratamentos menos invasivos e resultados mais eficazes.





