Manaus | 8 de agosto de 2026 | 10:09:45

Aviões com passageiros em pé? Modelo polêmico volta à pauta e pode estrear em 2026

via: gettyimages

Em um novo esforço para reduzir custos e aumentar a capacidade de passageiros, companhias aéreas de baixo custo voltaram a discutir um conceito polêmico: voos com passageiros praticamente em pé. A proposta, que surgiu há mais de uma década, voltou aos holofotes com a possível implementação do assento tipo Skyrider 2.0, já a partir de 2026.

O modelo, criado pela fabricante italiana Aviointeriors, se assemelha a um banco de bicicleta e permitiria que passageiros viajassem em posição quase vertical, com apoio para as pernas e encosto encurtado. O design, segundo a empresa, atende às normas internacionais de segurança e é indicado para voos curtos de até duas horas.

Menos conforto, mais passageiros

A principal vantagem da proposta, segundo seus idealizadores, é o aumento de até 20% na lotação das aeronaves, o que reduziria o custo operacional por passageiro e permitiria a oferta de tarifas ainda mais baratas. O modelo seria especialmente interessante para empresas aéreas low cost, que operam com margens estreitas e alta concorrência, como a europeia Ryanair.

O CEO da companhia, Michael O’Leary, foi um dos primeiros a defender publicamente o conceito, há cerca de 10 anos, alegando que muitos passageiros estariam dispostos a trocar conforto por economia, desde que o voo fosse rápido e seguro.

“Viajar de pé por uma hora ou duas não é muito diferente de pegar um trem lotado ou ônibus no horário de pico. A diferença é que aqui o passageiro economizaria dinheiro”, argumentam os defensores da ideia.

Críticas e preocupações

Apesar das promessas de passagens mais baratas, o conceito encontra forte resistência de especialistas e passageiros. As principais críticas envolvem o desconforto, o risco à saúde em longos períodos em pé e os potenciais problemas em situações de emergência ou turbulência.

Organizações ligadas à aviação civil e à saúde pública já se manifestaram contra propostas semelhantes no passado, alertando para o risco de problemas circulatórios, fadiga extrema e dificuldades de evacuação rápida em casos de acidente.

A Aviointeriors, por sua vez, afirma que o Skyrider 2.0 foi desenvolvido respeitando todos os requisitos internacionais de segurança e que não se trata de um voo literalmente em pé, mas sim com assentos “compactos e ergonômicos”, voltados para passageiros dispostos a abrir mão de espaço em troca de tarifas mais acessíveis.

O que esperar

O conceito ainda está em fase de aprovação por autoridades reguladoras da aviação civil, como a EASA (Agência Europeia para a Segurança da Aviação). A expectativa do setor é de que, caso receba sinal verde, o novo modelo de assento seja testado em rotas específicas a partir de 2026, especialmente em voos domésticos e de curta duração na Europa.

Enquanto isso, o debate continua: até onde os passageiros estão dispostos a ir para pagar menos por uma passagem aérea?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Espaço Publicitário

Últimas postagens