Brasília, 17 de setembro de 2025 – O delegado Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais e nome influente durante o governo Lula, foi preso nesta quarta-feira (17) em uma megaoperação da PF contra um esquema bilionário de corrupção, crimes ambientais e lavagem de dinheiro. Ele ocupava, até o fim de 2024, o terceiro cargo mais alto da hierarquia da PF.
A operação, que prendeu também o diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Caio Mário Trivellato Seabra Filho, revelou um complexo esquema envolvendo mais de 40 empresas, servidores públicos e órgãos de fiscalização. A quadrilha é acusada de fraudar licenças ambientais para a extração ilegal de minério de ferro em larga escala, inclusive em áreas protegidas ou tombadas, com potencial de danos ambientais catastróficos.
Figura conhecida e polêmica
Rodrigo Teixeira ganhou notoriedade nacional em 2018 ao comandar a investigação da facada contra o então candidato à presidência Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora (MG). Também esteve à frente do início das investigações do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 2019, um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil.
Apesar de sua imagem pública ligada ao combate ao crime, Rodrigo acumulou cargos estratégicos em áreas sensíveis durante gestões do Partido dos Trabalhadores. Ele foi nomeado para o Comitê de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras em 2024, por indicação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), aliado do presidente Lula. Também já ocupou cargos em governos estaduais e municipais alinhados ao PT, como a presidência da Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais e a Secretaria de Segurança de Belo Horizonte.
Atualmente, exercia o cargo de diretor de Administração e Finanças da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), vinculada ao Serviço Geológico do Brasil.
Esquema bilionário de corrupção e fraudes ambientais
A operação revelou que o grupo criminoso do qual Rodrigo faria parte usava influência política e institucional para subornar servidores e manipular processos de licenciamento ambiental e minerário. O inquérito policial, que tramita desde 2020, aponta que mais de R$ 3 milhões foram pagos em propina a agentes públicos, e alguns dos envolvidos recebiam uma espécie de “mesada” para manter o esquema em funcionamento.
As fraudes garantiam a liberação de atividades mineradoras em regiões de proteção ambiental, áreas tombadas e de alto risco social, sem qualquer análise técnica adequada. Estima-se que os projetos vinculados ao grupo movimentavam potencial econômico superior a R$ 18 bilhões.
Entre os órgãos corrompidos, estão a Agência Nacional de Mineração (ANM), o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais, além da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
Medidas da Justiça
Ao todo, 17 pessoas foram presas de um total de 22 mandados expedidos. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de R$ 1,5 bilhão em bens, o afastamento de servidores públicos envolvidos e a suspensão das atividades de empresas ligadas ao esquema.
Além da Polícia Federal, a operação conta com a participação da Controladoria-Geral da União (CGU), do Ministério Público Federal (MPF) e da Receita Federal.
Os investigados poderão responder por crimes como:
- Corrupção ativa e passiva
- Organização criminosa
- Lavagem de dinheiro
- Usurpação de bens da União
- Crimes ambientais
- Embaraço à investigação de organização criminosa
Repercussões políticas e institucionais
A prisão de um delegado da cúpula da PF com atuação direta no governo Lula e histórico em grandes investigações levanta questionamentos sobre critérios de nomeações para cargos estratégicos. O caso também reacende o debate sobre a fragilidade dos órgãos de controle ambiental e minerário, além do uso político da máquina pública.
Até o momento, a defesa de Rodrigo de Melo Teixeira não se pronunciou. Os órgãos públicos citados como envolvidos ainda não divulgaram posicionamento oficial.
As investigações continuam, e novas fases da operação não estão descartadas.






