Faltando menos de dois meses para a COP30, marcada para ocorrer entre os dias 10 e 21 de novembro em Belém, um hotel da capital paraense virou assunto nas redes sociais e entre os organizadores do evento após aplicar um reajuste expressivo no valor da hospedagem.
O antigo “Hotel Nota 10” passou a se chamar “Hotel COP30” e subiu suas diárias de R$ 70 para R$ 6.300, buscando atrair representantes estrangeiros durante a conferência do clima da ONU. Apesar da aposta comercial, o hotel ainda não fechou nenhuma reserva desde que os novos preços foram divulgados.
De acordo com a administração do estabelecimento, o objetivo era alugar o prédio inteiro para delegações internacionais. No entanto, o alto valor cobrado acabou afastando os interessados, e o preço agora está sendo reavaliado.
Desorganização e especulação preocupam
A reestruturação do hotel, que já operou com quartos por hora, chama atenção em meio à corrida para acomodar as milhares de pessoas esperadas para o evento climático. Belém possui hoje cerca de 36 mil leitos disponíveis, mas o número necessário gira em torno de 45 a 50 mil.
A situação provocou reações de autoridades locais e internacionais. O governo brasileiro tem buscado soluções emergenciais, como:
Navios-hotel ancorados na orla de Belém;
Adaptação de motéis e escolas públicas como alojamentos temporários;
Parcerias com plataformas como Booking e Airbnb para ampliar a rede de hospedagem; e
Campanhas de incentivo para construção e reforma de hotéis.
A ONU chegou a propor um subsídio diário de US$ 100 para representantes de países em desenvolvimento, mas o governo federal descartou a ideia, alegando já arcar com os custos da realização do evento.
Consequências para a imagem do Brasil
O aumento desproporcional no valor das hospedagens, como o caso do “Hotel COP30”, gera alerta. Existe o risco de que a especulação afaste representantes de países mais vulneráveis e prejudique a imagem do Brasil como anfitrião da COP30.
Além disso, o caso expõe a necessidade de uma gestão mais equilibrada entre o aproveitamento comercial do evento e a garantia de acesso democrático à conferência que pretende reunir líderes de mais de 190 países para discutir o futuro do planeta.





