O avanço feminino no mercado de trabalho é inegável. Ao longo da última década, mulheres passaram a ocupar espaços antes restritos aos homens, especialmente em áreas como tecnologia, finanças, direito e engenharia. No entanto, quando se observa com atenção o topo da pirâmide cargos de alta liderança, conselhos de administração e espaços de tomada de decisão a equidade ainda está longe de ser uma realidade.
A ausência de mulheres em posições estratégicas não se deve à falta de qualificação ou competência. Segundo especialistas, o desafio está em um conjunto de barreiras mais sutis, que vão desde a falta de autoconfiança e referências femininas em cargos de poder até estruturas organizacionais que ainda favorecem perfis masculinos, mesmo que inconscientemente.
Para Carolina Cavenaghi, cofundadora e CEO da Fin4she, uma plataforma voltada para o protagonismo feminino nas finanças e na carreira, a trajetória de uma mulher até o topo exige mais do que conhecimento técnico. “É preciso trabalhar a clareza de propósito, o autoconhecimento, o networking e, principalmente, o senso de permissão. Muitas mulheres ainda sentem que não têm o perfil ideal para liderar, mesmo sendo altamente capacitadas.”
Ela explica que o chamado “síndrome da impostora” é apenas um dos sinais de um problema mais profundo: a falta de estímulo contínuo para que mulheres visualizem e planejem sua carreira com visão de futuro. Sem um mapa claro de onde se quer chegar, torna-se mais fácil aceitar qualquer caminho mesmo que ele não leve à realização profissional ou financeira.
Talento não basta: é preciso estratégia
Estudos apontam que mulheres costumam acumular mais formações acadêmicas e cursos de aperfeiçoamento do que homens. No entanto, ainda enfrentam mais dificuldades para se autopromover, negociar salários ou se posicionar em ambientes competitivos. Cavenaghi reforça que uma carreira bem-sucedida não se constrói apenas com esforço, mas com planejamento intencional.
“É como construir uma empresa: você não começa sem estratégia, metas, recursos e apoio. Com a carreira, é igual. A diferença é que muitos homens aprendem isso cedo, enquanto as mulheres ainda estão buscando permissão para jogar esse jogo”, explica.
A importância da rede e da visibilidade
Outro ponto destacado pela especialista é a importância de criar redes de apoio e mentoria feminina, algo que ainda é pouco incentivado dentro de muitas empresas. Ter contato com outras mulheres que chegaram a posições de liderança serve como inspiração prática e emocional, além de facilitar o acesso a oportunidades que muitas vezes circulam apenas em ambientes masculinos.
Além disso, visibilidade e posicionamento continuam sendo peças-chave. “Não basta ser boa no que faz, é preciso ser vista, reconhecida e lembrada. As mulheres precisam assumir esse espaço com mais intencionalidade, sem culpa ou medo do julgamento social”, afirma.
Equidade no mercado de trabalho
A equidade de gênero no mercado de trabalho não será conquistada apenas com políticas corporativas. É preciso uma mudança profunda na forma como as mulheres se enxergam dentro da própria trajetória. Ter competência é o primeiro passo mas só com clareza, estratégia e apoio é possível romper as barreiras invisíveis que ainda limitam o acesso feminino ao poder.





