Brasília (DF) — A instabilidade política no governo Lula (PT) ganhou um novo e explosivo capítulo nesta terça-feira (2), com o anúncio da saída da União Progressista, federação formada pelos partidos União Brasil e PP da base governista no Congresso.
A decisão orienta que todos os filiados da federação deixem o governo, incluindo ministros e parlamentares com cargos na Esplanada, e ocorre no mesmo dia em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) começou a ser julgado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ministros fora do governo
A saída afeta diretamente André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo), ambos ministros licenciados de seus mandatos na Câmara. A federação entende que a permanência de seus quadros no governo não representa mais os interesses da legenda especialmente diante de divergências com a articulação política do Planalto.
Nos bastidores, a pressão para o rompimento vinha crescendo, especialmente após o apoio do governo à anistia para Bolsonaro, projeto que vem ganhando força no Congresso e dividindo partidos.
Movimento político com foco em 2026
Tanto Fufuca quanto Sabino tentaram negociar para evitar o desembarque, já que planejam disputar o Senado em 2026 e buscavam manter a relação com Lula. Porém, foram pressionados por suas siglas a deixar os cargos, sob risco de isolamento interno.
Segundo apuração do jornal Folha de S.Paulo, o presidente Lula já havia sinalizado, há uma semana, que os ministros de perfil mais governista deveriam pedir exoneração espontaneamente caso se sentissem desconfortáveis com a gestão.
Base no Congresso enfraquecida
Com a decisão, a base oficial do governo na Câmara pode cair para apenas 259 deputados — apenas dois acima do número mínimo para garantir maioria simples (257). Isso coloca em risco votações sensíveis e aumenta a dependência do Palácio do Planalto por acordos com partidos independentes.
Apesar da saída formal, outras indicações políticas dos partidos permanecerão nos ministérios, como Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Juscelino Filho (Comunicações), ambos indicados por caciques partidários como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o senador Ciro Nogueira.
Crise à vista?
O movimento representa um desafio estratégico para o governo Lula, que enfrenta dificuldades para avançar em pautas prioritárias no Congresso e agora terá que lidar com mais resistência dentro do próprio gabinete ampliado.
A ruptura ocorre em um momento simbólico: o julgamento de Bolsonaro, o debate sobre sua anistia e a construção de alianças para 2026.
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