Manaus (AM) – O ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado, Marcelo Ramos (PT), voltou a utilizar suas redes sociais para criticar a pré-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo (PL). Não é a primeira vez que Ramos destina palavras duras à adversária, sempre colocando em xeque o tom e a postura que ela tem adotado na pré-campanha.
Em sua mais recente manifestação, Ramos acusou Maria do Carmo de “estar cercada da velha política” e de “usar deboche e soberba” sem apresentar soluções concretas para o futuro do Estado. O tom ácido, segundo ele, é resultado da forma como a adversária conduz sua pré-campanha, que estaria mais próxima de disputas estudantis do que de uma eleição estadual.
O estopim da polêmica
O último episódio foi motivado por um vídeo publicado por Maria do Carmo, em que ela usou uma referência à Copa do Mundo de 1958 para questionar a declaração do senador Omar Aziz sobre a eleição de 2026 ser “histórica” para o Amazonas. A candidata ironizou se isso já estaria “combinado” com o povo, em alusão à célebre frase de Garrincha.
Ramos não deixou passar: acusou a adversária de fazer “chacota ignorante” e destacou que, na ocasião histórica, o Brasil venceu por 2 a 0, sem “combinar com justos”.
O que explica tanto incômodo?
O ponto que chama atenção é: por que Marcelo Ramos tem destinado tanta energia para rebater Maria do Carmo? Já foram mais de uma vez em que ele usou suas redes para confrontar diretamente a pré-candidata. Os temas variaram de obras de infraestrutura, como a BR-319, até críticas ao estilo de comunicação que ela tem utilizado.
Há quem veja, por trás desse movimento, uma tentativa de Ramos em descredibilizar a imagem de uma adversária que surgiu de forma repentina no cenário político e que já conquistou espaço ao se associar ao bolsonarismo.
Marcelo Ramos, que hoje está alinhado à esquerda e ao projeto do PT, pode estar incomodado com o fato de Maria do Carmo ter se tornado, em pouco tempo, uma representante do campo político oposto, com potencial de atrair um eleitorado de direita que não se sente representado pelas velhas figuras da política local.
De disputa eleitoral a embate ideológico
Embora Maria do Carmo ainda seja uma novidade para parte do eleitorado, seu discurso de “mudança” tem ressoado, principalmente nas redes sociais, onde ela aposta em linguagem simples, comparações populares e críticas diretas aos “caciques” do Estado.
Ramos, por sua vez, tem optado por um tom mais combativo, buscando enquadrá-la como expressão da mesma “velha política” que ela promete combater. O embate, portanto, vai além do campo eleitoral e revela uma disputa narrativa: de um lado, a promessa de renovação; do outro, a tentativa de enquadramento crítico e deslegitimador.
A resposta da candidata
Em entrevista concedida ao portal A Repórter, Maria do Carmo rebateu diretamente uma das acusações levantadas por Marcelo Ramos, de que ela teria “enriquecido” com programas de universidades do governo. A pré-candidata esclareceu que não existe a possibilidade de enriquecimento pessoal com esses programas, e explicou no Podcast Ponto Cego que vai ao ar amanhã (03/09) no canal @areporteroficial como funciona a distribuição dessa verba.
Perguntas que ficam
O eleitor amazonense, atento a essa troca de farpas, inevitavelmente se pergunta:
Por que Marcelo Ramos dedica tanta energia a Maria do Carmo, entre tantos outros adversários?
Estaria ele preocupado com a força política que ela pode representar em 2026? Ou seria uma estratégia para tentar desestabilizar uma candidatura que ainda está em fase de consolidação, mas que já demonstra potencial de crescimento?





