A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou, no Rio de Janeiro, a assinatura de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com as empresas Hypera Pharma e Aurisco Pharmaceutical para o desenvolvimento e fabricação nacional do nusinersena, medicamento usado no tratamento da Atrofia Muscular Espinhal 5q (AME).
A iniciativa faz parte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento da Saúde, do Ministério da Saúde, que tem como objetivo fortalecer a produção local de medicamentos, reduzir a dependência externa e ampliar o acesso a terapias de alta complexidade no país.
Disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2019, o nusinersena passará a ser produzido integralmente pela Bio-Manguinhos/Fiocruz. A expectativa é que a produção nacional traga redução significativa de custos públicos e introduza no Brasil uma plataforma tecnológica inédita, voltada à fabricação de oligonucleotídeos antisense.
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, destacou que se trata de uma plataforma pioneira na América Latina, reforçando o papel da instituição como base científica, tecnológica e industrial do SUS. A diretora de Bio-Manguinhos, Rosane Cuber, ressaltou que a produção representa um compromisso com inovação e sustentabilidade. Já o representante da Aurisco no Brasil, Marco Oliveira, classificou o acordo como “um momento histórico”, que garante o acesso da população a um medicamento seguro, eficaz e acessível.
Tecnologia inovadora para tratar a AME
O nusinersena, também conhecido como Spinraza, é um oligonucleotídeo antisense (ASO) que estimula a produção da proteína SMN, essencial para os neurônios motores afetados pela AME tipo 5q. O domínio dessa tecnologia no Brasil permitirá a internalização do processo produtivo e a conquista de independência tecnológica em tratamentos semelhantes.
A implantação será realizada em etapas, com avaliação contínua, até que a Fiocruz tenha pleno domínio do processo de produção no território nacional.
Contexto sobre a doença e o tratamento
A Atrofia Muscular Espinhal (AME) é uma doença genética rara causada por mutações no gene SMN1. Ela afeta os neurônios motores, provocando fraqueza muscular progressiva e podendo levar à morte em casos graves. A gravidade varia conforme o tipo e a idade de início dos sintomas.
O tratamento com nusinersena tem demonstrado resultados positivos no atraso da progressão da doença e na melhora da função motora dos pacientes, sendo administrado por via intratecal. A produção nacional representa um passo estratégico para ampliar o alcance desse tratamento no Brasil.
Ano Marco
2019 Nusinersena passa a ser fornecido pelo SUS
2025 Fiocruz firma parceria para produzir o medicamento no Brasil
Próximos anos Transferência de tecnologia e início da produção nacional





