O IPCA-15 de agosto registrou deflação de 0,14%, o primeiro resultado negativo desde julho de 2023. Apesar disso, o dado veio acima das expectativas do mercado, reacendendo alertas sobre pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços, que voltou a acelerar.
A expectativa era de uma deflação mais acentuada, de -0,19%, com alta de 4,91% no acumulado em 12 meses. No entanto, o IPCA-15 fechou com alta de 4,93% no mesmo período, frustrando as previsões. A surpresa ficou por conta do comportamento dos serviços, que subiram 0,50% no mês, interrompendo a tendência de alívio registrada em divulgações anteriores.
O que puxou a deflação?
Do lado positivo, dois fatores contribuíram para o recuo do índice:
Conta de luz mais barata, devido ao Bônus de Itaipu;
Queda nos preços dos alimentos para consumo no domicílio, com destaque para uma deflação de -0,92% nesse grupo.
Mesmo com esses alívios, a deflação perdeu força frente ao esperado, revelando uma deterioração na margem.
Serviços pressionam, e núcleo da inflação preocupa
O que mais chamou a atenção dos analistas foi a reaceleração dos serviços subjacentes, que acumulam alta de 6,62% em 12 meses. A média móvel anualizada está em 5,83%, sinalizando que a inflação estrutural ainda está longe de domada.
Itens como cinema, seguros e passagens aéreas pesaram mais do que o previsto. O mercado de trabalho aquecido — com desemprego nas mínimas históricas, ajuda a sustentar essa pressão nos preços dos serviços, como destacaram instituições como XP, Itaú, Bradesco, SulAmérica e Monte Bravo.
Juros seguem altos e cenário ainda é desafiador
Com a inflação de serviços resistente, economistas reforçam a necessidade de manter a política monetária apertada. O Banco Central deve seguir com a Selic em 15,0% ao ano pelo menos até o fim de 2025, buscando conter o avanço dos preços e garantir que a inflação convirja para a meta no médio prazo.
Mesmo com essa surpresa no IPCA-15, as projeções para o ano foram mantidas em torno de 5,0% a 5,1%, segundo as principais casas econômicas. Já para 2026, a expectativa média é de 4,5%.





