Durante o tradicional Festival de Barretos, no interior de São Paulo, três dos principais nomes da direita brasileira selaram um compromisso que pode moldar o cenário político das eleições presidenciais de 2026. Ronaldo Caiado (União-GO), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Romeu Zema (Novo-MG) declararam publicamente que têm um pacto: disputar o primeiro turno com candidaturas próprias e, no segundo turno, unir forças em torno de quem seguir na corrida pelo Planalto.
“Temos um pacto entre nós. Todos somos governadores experientes. Quem chegar lá, com competência, vai colocar o Brasil nos trilhos. Não tenham dúvidas disso”, afirmou Caiado, já assumidamente pré-candidato à presidência.
Em tom de união, ele completou: “Todo mundo sai agora, mas no segundo turno estaremos todos juntos, unidos, para dar rumo e devolver o Brasil aos brasileiros de bem”.
Tarcísio de Freitas, frequentemente citado como um possível herdeiro político de Jair Bolsonaro (inelegível até 2030), apoiou a declaração: “Tenho certeza de que a direita tem excelentes nomes para o Brasil”.
Romeu Zema também entrou na conversa e revelou que teve um encontro recente com Bolsonaro: “Ele é favorável a alguns nomes da direita. Isso fortalece nosso campo. Como disse Caiado, no segundo turno estaremos juntos”.
Bastidores em ebulição: Eduardo Bolsonaro critica movimentação pró-Tarcísio
Apesar da exibição pública de união, nos bastidores o clima não é tão pacífico assim. Mensagens obtidas pela Polícia Federal, extraídas do celular do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelam o incômodo de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com o crescimento da “narrativa de Tarcísio como sucessor”.
Em conversa com o pai, Eduardo afirma que essa articulação precisa ser “segurada” para que “nos mantenhamos vivos aqui”. Segundo ele, Tarcísio não teria força política para abrir portas internacionais, como na Casa Branca, ao contrário dele e do jornalista aliado Paulo Figueiredo.
“Ele vai levar à frente suas bandeiras, inclusive demitindo secretárias ligadas ao PSOL. Ele dialoga bem. Vai anistiar geral. E o STF, que sempre foi nosso aliado, não será óbice”, escreveu Eduardo, após ver uma pesquisa que mostrava Tarcísio vencendo Lula (PT) em um eventual segundo turno.
As mensagens foram trocadas em junho deste ano e revelam um conflito interno que pode interferir nos planos da direita para 2026.






