A Polícia Federal já tem uma cela especial pronta para uma possível prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O espaço está localizado no térreo da Superintendência da PF no Distrito Federal, no Setor Policial de Brasília, e conta com uma estrutura diferenciada: cama, banheiro reservado, televisão, mesa de trabalho e cadeira.
Apesar de ser chamada de “cela”, o ambiente se assemelha mais a uma sala funcional. A estrutura foi preparada para custódia individual e segue o mesmo modelo utilizado em 2018 para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sede da PF em Curitiba. À época, Lula ficou em uma sala adaptada enquanto cumpria pena em regime fechado.
Segundo a PF, a cela especial foi montada há mais de três meses, sem um destino específico, mas com o objetivo de estar pronta para receber qualquer autoridade que venha a ser presa, o que inclui ex-presidentes da República, como é o caso de Bolsonaro.
A estrutura, de acordo com delegados que falaram sob reserva, surgiu após uma consulta da Vara de Execuções Penais do DF sobre a viabilidade de custódia na própria Superintendência. Diante disso, o local foi preparado para um eventual cumprimento de mandado de prisão em regime fechado.
Além da possibilidade de detenção na sede da PF, também são consideradas alternativas como prisão militar (por Bolsonaro ser do Exército) ou custódia em batalhão da Polícia Militar do DF, como ocorreu com o ex-ministro Anderson Torres. A cela na PF seria uma terceira opção, caso as outras não se concretizem.
Essa modalidade de cela especial segue precedentes. O ex-presidente Fernando Collor de Mello, por exemplo, também foi preso de forma temporária em uma sala adaptada, à época na direção do presídio estadual em Maceió (AL). Juristas apontam que ex-presidentes têm essa prerrogativa, justamente por razões de segurança e protocolo institucional.
Bolsonaro, que atualmente cumpre medida de recolhimento domiciliar, foi indiciado nesta quarta-feira (20) pela PF em mais um inquérito, desta vez, por coação no curso do processo e por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. A investigação aponta que ele e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tentaram envolver o governo dos Estados Unidos em uma manobra para desacreditar as instituições brasileiras e interferir no andamento das investigações sobre um suposto plano de golpe.
A cela está pronta. Mas permanece a dúvida: essa preparação é apenas uma medida técnica de precaução ou um indicativo de que decisões mais drásticas estão no horizonte?






