Nos últimos meses, transmissões ao vivo da TV Globo e de suas afiliadas têm sido alvo frequente de interrupções por manifestantes que gritam “Globo lixo” diante das câmeras. Os episódios ocorrem em diferentes estados e durante diversas coberturas, como tragédias climáticas, manifestações políticas e eventos públicos.
Em uma das ocorrências mais recentes, registrada no Rio Grande do Sul, um homem invadiu um link ao vivo e gritou contra a emissora. A repórter, em campo, repreendeu a atitude e tentou prosseguir com a pauta. Situações semelhantes também foram registradas em atos públicos, onde multidões entoaram em coro o bordão que virou símbolo de crítica à emissora.
A frase “Globo lixo” não é nova. Ela se popularizou nos últimos anos nas redes sociais como forma de protesto contra o que parte da população considera ser um viés editorial ideológico da emissora. Embora a Rede Globo mantenha sua posição como uma das maiores e mais influentes do país, a hostilidade enfrentada em coberturas externas indica uma crescente desconfiança por parte de determinados grupos sociais e políticos.
Especialistas em comunicação apontam que o fenômeno revela não apenas a polarização política do país, mas também a perda gradual de autoridade simbólica dos grandes meios de comunicação. “A Globo tem enfrentado um desgaste de imagem, especialmente entre eleitores mais alinhados à direita. Isso se intensificou durante os últimos ciclos eleitorais e permanece como um reflexo da fragmentação da opinião pública”, analisa o sociólogo e professor de mídia, Marcos Vinícius Torres.
Apesar das críticas, a emissora opta por não responder diretamente aos ataques, mantendo sua linha editorial e, quando possível, cortando os links invadidos. Internamente, os profissionais de reportagem são orientados a seguir com as coberturas sem confrontar os manifestantes, exceto em situações de risco à integridade física ou ao andamento jornalístico.
O fenômeno, no entanto, levanta debates sobre liberdade de imprensa, responsabilidade editorial e o papel das mídias tradicionais na era digital. Enquanto o bordão segue ecoando nas ruas e nas redes sociais, a Globo mantém sua liderança de audiência ainda que sob ruídos.






