TONANTINS (AM) – Uma cena de barbárie tomou conta da cidade de Tonantins, a 865 km de Manaus, na noite deste sábado (2). Revoltados com um crime de feminicídio, moradores invadiram a delegacia da cidade, retiraram o suspeito da cela e o espancaram até a morte, antes de atear fogo em seu corpo na calçada da unidade policial.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que o homem, acusado de matar sua companheira identificada como “Lene”, é brutalmente agredido com chutes, socos e pedaços de madeira por dezenas de pessoas. Ele estava algemado quando foi arrancado da cela da 54ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) e arrastado até a parte externa do prédio.
Mesmo com a presença de policiais civis no local, nenhuma contenção foi possível. O grupo dominou o espaço, executou o homem diante da multidão e ateou fogo em seu corpo, enquanto outros filmavam com os celulares. As imagens são fortes e circulam amplamente desde a madrugada de domingo.
Polícia vai investigar
Em nota, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou que vai investigar o caso, identificar os envolvidos na invasão e responsabilizar os autores do linchamento. A corporação não detalhou se havia apenas um policial de plantão, nem explicou por que a segurança da unidade foi rompida com tanta facilidade.
“A instituição repudia qualquer tipo de violência e informa que está tomando todas as medidas legais para apurar o caso. Os autores da invasão e do homicídio serão responsabilizados”, diz o trecho do comunicado.
Casos parecidos já ocorreram
Esse não é o primeiro caso de linchamento em cidades do interior do Amazonas. Em 2023, um crime semelhante ocorreu em Jutaí, quando um homem suspeito de estuprar e matar uma criança foi linchado e queimado por populares dentro da delegacia. Na época, vários moradores foram denunciados pelo crime, incluindo familiares da vítima.
O que diz a lei
Apesar da revolta popular, linchamentos são considerados crimes hediondos e podem levar os envolvidos a responderem por homicídio qualificado, associação criminosa e até vilipêndio de cadáver. O caso reacende o debate sobre falhas na segurança pública, especialmente em cidades pequenas com estrutura policial limitada.
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