O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova rodada de tarifas comerciais que atinge dezenas de países e o Brasil foi o mais penalizado, com a maior alíquota entre os parceiros: 50% sobre diversos produtos. A medida, assinada pelo presidente Donald Trump, começa a valer a partir da próxima semana e já causa tensão diplomática e preocupação no setor exportador brasileiro.
Enquanto isso, a Argentina, governada por Javier Milei, foi favorecida e terá apenas uma tarifa de 10%, a menor entre as nações da América do Sul.
Decisão política
Embora o governo americano alegue “princípios de reciprocidade comercial”, interlocutores próximos a Trump indicam que a medida contra o Brasil tem forte carga política, em retaliação à atuação do governo Lula na perseguição judicial a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje investigado por uma série de crimes no Brasil. A avaliação do republicano é de que o país “não é confiável juridicamente” para acordos.
Argentina poupada
A Argentina de Milei, por outro lado, tem mantido bom relacionamento com a gestão Trump, inclusive com trocas de elogios entre os presidentes. O país vizinho conseguiu não só manter a tarifa mínima, como já negocia novas flexibilizações.
Exportações brasileiras afetadas
A tarifa de 50% representa um duro golpe para setores estratégicos da exportação brasileira, especialmente produtos industrializados, maquinário, e bens de consumo. A boa notícia é que cerca de 700 produtos foram poupados, incluindo aeronaves, máquinas agrícolas, itens da indústria química e alguns bens de alto valor agregado.
Mesmo assim, a medida pode comprometer a competitividade de parte importante das exportações nacionais, que ainda enfrentam um dólar instável e custo logístico elevado.
Reações e silêncio oficial
O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre a medida, mas fontes do Itamaraty indicam que o país deve buscar diálogo diplomático e acionar a OMC, com base nos acordos internacionais de comércio.
Trump, por sua vez, disse que está aberto ao diálogo: “Lula pode me ligar quando quiser”, afirmou o presidente americano em tom desafiador.









