A tentativa do ministro Alexandre de Moraes de reunir apoio dos colegas do Supremo Tribunal Federal (STF) após ser alvo de sanções dos Estados Unidos expôs um incômodo dentro da Corte. A maioria dos ministros se recusou a assinar uma carta em defesa de Moraes, proposta por ele próprio.
A iniciativa buscava uma resposta institucional forte contra a decisão norte-americana de incluí-lo na chamada lista Magnitsky, que pune agentes públicos acusados de violar direitos humanos. No entanto, os ministros avaliaram que a reação seria inadequada, uma vez que envolveria questionar a soberania de outro país em foro impróprio e poderia arrastar o STF para uma crise diplomática indesejada.
Sem apoio suficiente, a saída encontrada foi uma nota mais branda, assinada apenas pelo presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e sem menção direta aos EUA ou à sanção.
O gesto simboliza não apenas uma recusa formal, mas também um distanciamento político. Prova disso foi o jantar oferecido por Lula no Palácio da Alvorada para demonstrar unidade, no qual apenas 6 dos 11 ministros compareceram. Cinco deles Cármen Lúcia, Rosa Weber, Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli se ausentaram, evitando inclusive a foto oficial com Moraes e o presidente.
Nos bastidores, o clima é de desconforto. Alguns ministros teriam avaliado que Moraes agiu de maneira personalista, tentando envolver a Corte em sua própria crise internacional. Outros temem que o caso se torne um desgaste político e institucional ainda maior, especialmente em meio às tensões entre Judiciário, Planalto e oposição.
Com o episódio, Moraes se vê mais isolado do que nunca — agora não só diante dos EUA, mas também entre os próprios colegas de toga.





