Manaus | 4 de junho de 2026 | 06:12:06

Empresário alvo da PF faturou mais de R$ 10 bilhões com obras públicas no governo federal

A Polícia Federal investiga o empresário Luiz Otávio Fontes Junqueira, proprietário da LCM Construção e Comércio, por suspeitas de irregularidades em contratos públicos bilionários. A empresa, especializada em obras de infraestrutura, acumulou mais de R$ 23 bilhões em contratos com a União desde 2014, sendo cerca de R$ 10,8 bilhões apenas em 2023, durante o atual governo.

As suspeitas envolvem fraudes em processos licitatórios, com indícios de concorrência simulada, contratos direcionados e ausência de descontos nas propostas apresentadas. O caso ganhou força com a deflagração da Operação Route 156, que apura irregularidades em obras da rodovia federal BR-156, no estado do Amapá.

Na operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis ligados a Junqueira, incluindo sua residência de alto padrão em Nova Lima (MG), onde foram apreendidos documentos, computadores, celulares e até veículos de luxo, como modelos da Porsche. A investigação identificou saques em dinheiro vivo no valor de R$ 680 mil, realizados de forma fracionada e por meio de terceiros — manobra que pode ter sido usada para burlar o sistema de controle bancário e dificultar o rastreamento da origem e destino dos recursos.

A LCM, que já prestava serviços ao governo federal em anos anteriores, teve uma explosão no volume de contratos em 2023, primeiro ano do terceiro mandato do presidente Lula. Apesar disso, os acordos firmados ocorreram por meio de licitações públicas, o que, segundo a defesa da empresa, seria prova de legalidade.

No entanto, a PF desconfia de uma rede de empresas de fachada e licitações manipuladas para favorecer o grupo empresarial de Junqueira, que teria ampliado de forma expressiva sua atuação junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), órgão responsável pela maioria dos contratos investigados.

A Controladoria-Geral da União (CGU) acompanha o caso, que pode ter ramificações em outros estados e contratos federais. O empresário ainda não se pronunciou oficialmente, mas sua equipe jurídica nega qualquer irregularidade e afirma que colaborará com as investigações.

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