A desigualdade de gênero no mercado de trabalho continua sendo uma barreira invisível, mas devastadora para milhões de mulheres brasileiras. O Relatório Anual de Estatísticas sobre o Emprego e a Autonomia da Mulher (RASEAM) 2025 revela dados alarmantes: elas recebem, em média, 22% menos que os homens para realizar o mesmo trabalho, com a mesma qualificação. Em cargos mais bem pagos, essa diferença chega em 35%.
Além da disparidade salarial, a informalidade também pesa mais sobre elas. Segundo o levantamento, as mulheres têm 15% mais chances de estarem em empregos informais, sem carteira assinada, proteção previdenciária ou direitos básicos, cenário que as expõe à insegurança e à vulnerabilidade econômica.
Barreiras invisíveis: onde elas estão?
A ausência de mulheres em cargos de poder também escancara o desequilíbrio. Apenas 28% dos cargos de gerência são ocupados por elas, número que despenca para menos de 10% nos conselhos administrativos das grandes empresas. Enquanto isso, a dupla jornada segue como realidade para a maioria: as brasileiras dedicam, em média, 2,5 vezes mais tempo aos cuidados domésticos do que os homens.
Esse “custo do cuidado” tem reflexo direto no mercado: muitas precisam abrir mão de crescimento profissional, cargos de liderança ou melhores salários para dar conta das responsabilidades familiares. A penalidade da maternidade quando a carreira dar uma estagnada após a chegada dos filhos, ainda é um obstáculo silencioso, mas recorrente.
O que está sendo feito?
Apesar do cenário desafiador, algumas políticas públicas têm avançado. A Lei nº 14.611/2023, por exemplo, obriga empresas com mais de 100 funcionários a apresentarem relatórios de transparência salarial, além de criar mecanismos para combater a desigualdade nas contratações e promoções.
Outras iniciativas, como A Casa da Mulher Brasileira, têm investido em cursos profissionalizantes e inclusão no mercado de trabalho, reforçando que a autonomia financeira é uma ferramenta fundamental contra a violência e a vulnerabilidade.
Caminho ainda longo
Ainda há muito a ser feito. Investir na qualificação de mulheres em áreas estratégicas, combater a discriminação, dividir de forma mais justa as tarefas domésticas e incentivar o empreendedorismo feminino são passos urgentes.
Promover a igualdade de gênero no trabalho não é só uma questão de justiça: é uma estratégia de desenvolvimento social e econômico. O Brasil não pode se dar ao luxo de desperdiçar o talento, a força e o potencial de metade da sua população.





