A chamada “taxa das blusinhas”, que desde agosto de 2024 impõe impostos sobre compras internacionais de até 50 dólares, pode estar com os dias contados. O governo federal avalia revogar a medida como um gesto de boa vontade à China, principal afetada pela regra, em meio à tensão comercial global provocada por novos impostos aplicados pelos Estados Unidos.
Nos bastidores, líderes governistas já iniciaram conversas com parlamentares do Centrão para avaliar a viabilidade política da revogação. A proposta também é vista como uma forma de conter a queda na popularidade do presidente Lula, que, segundo aliados, nunca foi favorável à taxação, mas cedeu à pressão do então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e de empresários do setor varejista.
Impactos no Mercado
A medida, criada para equilibrar a concorrência entre varejistas nacionais e plataformas estrangeiras, como Shein e Shopee, teve efeitos imediatos. Antes da taxação, os produtos dessas plataformas custavam cerca de 40% menos que os das concorrentes brasileiras. Com a nova regra, essa diferença caiu para cerca de 10%, reduzindo as vendas mensais da Shein de 18,6 milhões para 12,7 milhões de itens.
Com isso, o varejo nacional ganhou força. No primeiro trimestre deste ano:
A Renner lucrou R$ 221 milhões (+58,7%);
As ações da C&A subiram 143,5%;
A Guararapes, dona da Riachuelo, teve alta de 42% no valor de mercado.
No entanto, caso o governo confirme o recuo na taxação, o cenário pode se inverter, impactando diretamente os lucros e o desempenho das marcas brasileiras.
Pressão Política e Disputa no Congresso
A discussão ganhou força após o deputado Kim Kataguiri (União-SP) cobrar publicamente o apoio do líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), à revogação da taxa. Kim já protocolou um projeto para retomar a isenção de até 50 dólares, mas o texto ainda não recebeu apoio formal da base governista.
O argumento usado por defensores do recuo é que a revogação pode amenizar as tensões diplomáticas com a China e reforçar as relações comerciais entre os dois países, o que ganha importância estratégica diante do “tarifaço” promovido por Donald Trump contra exportações chinesas.
Enquanto isso, plataformas como Shein e Shopee buscam acelerar a nacionalização de suas operações no Brasil para evitar perdas e manter competitividade.






