Um relatório preliminar divulgado pelas autoridades indianas nesta sexta-feira (11) revelou detalhes cruciais sobre o trágico acidente com o avião da Air India, que caiu em 12 de junho com 271 pessoas a bordo, das quais apenas uma sobreviveu. A queda do Boeing 787 Dreamliner, considerado o pior desastre aéreo global da última década, teria sido provocada por uma interrupção simultânea no abastecimento de combustível dos dois motores logo após a decolagem.
Segundo o documento técnico do Departamento de Investigação de Acidentes Aeronáuticos da Índia (AAIB), gravações do cockpit mostraram um momento de confusão entre o comandante Sumeet Sabharwal, de 56 anos, e o copiloto Clive Kunder, de 32. Nos segundos finais antes da queda, um dos pilotos questiona: “Por que você cortou o combustível?” ao que o outro responde: “Não cortei.”
O relatório aponta que os dois interruptores de corte de combustível passaram quase simultaneamente da posição de funcionamento para a posição de desligado, sem que os pilotos tenham dado comandos claros para isso. Ainda não se sabe se houve falha técnica, erro humano ou mau funcionamento dos sistemas. Nenhum dos pilotos assumiu responsabilidade direta, e tampouco foi identificado qual deles fez a transmissão de emergência: “Mayday, Mayday, Mayday.”
A aeronave decolou da cidade de Ahmedabad com destino a Londres, mas perdeu empuxo segundos após sair do solo. Imagens de câmeras de segurança do aeroporto mostram que, quase imediatamente, foi ativada a turbina auxiliar (APU), uma fonte de energia emergencial, o que reforça a tese de perda de potência nos motores principais.
O Boeing caiu sobre um dormitório universitário nos arredores de Ahmedabad, matando dezenas de estudantes no solo, além da maioria dos passageiros e tripulantes.
Sabharwal era instrutor sênior da Air India, com mais de 15 mil horas de voo registradas. Seu copiloto, Kunder, tinha 3.403 horas de experiência. Segundo o governo indiano, ambos eram considerados altamente qualificados.
O relatório ainda não oferece conclusões definitivas, mas levanta preocupações sobre a posição e a segurança dos interruptores de corte de combustível no modelo Boeing 787. O ministro da Aviação Civil da Índia, Ram Mohan Naidu, pediu cautela: “Estamos profundamente preocupados com o que foi revelado, mas não tiraremos conclusões precipitadas até o laudo final ser divulgado.”









