Nova perícia brasileira, solicitada pela família de Juliana Marins, trouxe respostas dolorosas e dúvidas ainda sem solução. O laudo, assinado por peritos do Instituto Médico-Legal (IML) do Rio de Janeiro, aponta que a publicitária de 26 anos morreu em decorrência de uma queda de grande altura durante uma trilha na Indonésia mais especificamente por politraumatismo e hemorragia interna.
Segundo os exames, os ferimentos foram tão graves que causaram falência de órgãos em questão de minutos. A queda, estimada em cerca de 300 metros, teria acontecido enquanto Juliana tentava completar a trilha do Monte Rinjani, um dos pontos turísticos mais altos e perigosos da ilha de Lombok.
O que motivou a nova perícia foi a insegurança da família em relação ao primeiro laudo, realizado por autoridades indonésias, e a sensação de que muitos pontos ficaram sem resposta. Por isso, a família fez o translado do corpo ao Brasil e contratou também um perito particular para acompanhar o exame local.
Os médicos-legistas do Rio confirmaram que as fraturas eram múltiplas e letais, mas não descartaram a possibilidade de Juliana ter sobrevivido por mais tempo do que se imaginava. Imagens de drone e relatos de turistas indicam que ela permaneceu com sinais de vida por horas após o acidente.
Dor prolongada e solidão a perícia sugere que a vítima passou por um possível “período agônico” , estágio no qual a vítima, mesmo gravemente ferida, ainda se mantém viva, sob estresse físico e psicológico extremos. A ausência de socorro imediato, nesse contexto, pode ter acentuado o sofrimento da jovem, que estava desacompanhada no momento da queda.
O guia responsável, segundo a irmã de Juliana, teria deixado o grupo sozinho por alguns minutos. Quando voltou, Juliana já havia sumido. A comunicação com autoridades locais foi lenta e a busca durou quatro dias. Quando o corpo foi encontrado, já havia deslizado centenas de metros abaixo da trilha.
Sem sinais de violência, mas com muitas perguntas o laudo não identificou indícios de agressão anterior ou luta corporal, mas encontrou marcas compatíveis com deslocamento do corpo pela força da gravidade e pelo terreno acidentado. Como o corpo chegou ao Brasil já embalsamado, exames que poderiam apontar o tempo exato de sobrevida ou eventual negligência médica não puderam ser realizados.
Para os familiares, a dor da perda é agravada pela sensação de abandono. A irmã de Juliana, Mariana Martins, disse em entrevista que soube do acidente pelas redes sociais e teve de mobilizar uma rede de apoio internacional para tentar agilizar o resgate. “Ela foi deixada sozinha, e isso é inaceitável. Não vamos descansar até ter justiça”, declarou.
A mochileira sonhadora, Juliana Marins era formada pela UFRJ e havia trabalhado em emissoras como Multishow e Canal Off. Apaixonada por viagens, dança e natureza, registrava nas redes sociais cada passo do seu mochilão pelo Sudeste Asiático, onde visitou Vietnã, Filipinas e Tailândia antes de seguir para a Indonésia.
A trilha no Monte Rinjani era um desafio pessoal. Segundo a irmã, Juliana acreditava que tudo sempre dava certo, e geralmente dava. Era descrita como expansiva, otimista e cheia de vida.
Sua morte gerou grande repercussão e levantou discussões sobre segurança em trilhas internacionais, responsabilidade de guias turísticos e acesso a resgate em áreas remotas.
A família agora busca responsabilização e respostas. E enquanto a Justiça segue seu curso, amigos e parentes se unem em luto, tentando preservar a memória da jovem que encantava por onde passava.





