Manaus | 4 de junho de 2026 | 20:54:40

Trilha da Morte: Juliana Marins e a negligência no Monte Rinjani expõem crise ignorada na Indonésia

Por Érika Passos, para A Repórter

A morte da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, após cair durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, não foi um caso isolado — foi o sintoma de uma tragédia anunciada. Juliana despencou mais de 500 metros durante uma expedição e, mesmo localizada por drones, passou quatro dias sem resgate efetivo. Quando finalmente as equipes conseguiram alcançá-la, já era tarde. Ela não resistiu.

Mas esse não é o único caso.

Segundo levantamento publicado pelo G1, as trilhas do vulcão já causaram pelo menos 8 mortes oficiais e mais de 180 acidentes nos últimos anos. E esses são apenas os dados registrados. O que não entra nos relatórios — por omissão, falta de fiscalização ou má-fé — permanece invisível, abafado pelo turismo de risco incentivado pela região.

🧗‍♂️ Um destino popular com estrutura precária

O Monte Rinjani é o segundo vulcão mais alto da Indonésia, com 3.726 metros de altitude. É destino cobiçado por aventureiros, especialmente entre maio e outubro, período de seca. Mas bastam algumas horas de chuva para transformar a trilha em uma armadilha mortal.

Relatos de viajantes em sites como Tripadvisor e AllTrails descrevem um cenário alarmante:

  • Guias despreparados abandonando turistas no meio da trilha;
  • Equipamentos vencidos ou frágeis, como barracas com zíper quebrado e sacos de dormir finos em temperaturas congelantes;
  • Grupos caminhando no escuro sem instrução adequada;
  • Montanhistas obrigados a seguir sozinhos até o topo porque os guias não possuem seguro de vida e evitam riscos.

“Caminhamos no escuro sem guia. A barraca estava destruída, o saco de dormir era um pano. Só não congelei porque levei roupas extras”, diz um dos relatos publicado em 23 de junho de 2025.

“Nosso guia desistiu de subir. Disseram que era normal. Ventos fortes quase derrubaram as pessoas. As tendas estavam voando”, descreve outro turista, em março de 2025.

🆘 Falta tudo: cordas, preparo e resgate

No caso de Juliana, a sucessão de erros custou caro:

  • Drones localizaram a jovem a mais de 500 metros abaixo da trilha, viva, mas sem acesso a água, comida ou calor.
  • As equipes terrestres não tinham cordas suficientes para descer.
  • O helicóptero com guincho só foi cogitado no quarto dia, e ainda assim, sob forte pressão diplomática e nas redes sociais.
  • Nenhuma estrutura de resgate vertical especializada foi acionada a tempo.

Durante todos esses dias, voluntários indonésios como o alpinista Tyo (@tyo_survival) arriscaram a vida tentando alcançar Juliana — enquanto o Estado se mostrava inerte.

🧨 Uma tragédia silenciosa e lucrativa

A trilha segue aberta. Grupos continuam sendo levados ao mesmo local, diariamente, com a promessa de aventura e paisagens deslumbrantes. O turismo é fonte de renda local — mas a que custo?

Não há política séria de segurança, nem regulação eficaz sobre guias, equipamentos ou logística de emergência. O governo indonésio fecha os olhos, e vidas continuam em risco.

Juliana virou símbolo de coragem, espiritualidade e luz. Mas também de descanso forçado onde o lucro fala mais alto que a vida.

✊ Até quando?

Quantas Julianas mais precisarão cair para que a trilha seja reavaliada?

Quantas famílias ainda vão implorar por resgate enquanto os órgãos responsáveis não fazem absolutamente nada?

Se nada mudar, a próxima tragédia já está marcada. Só não sabemos o nome ainda.

📌 Para ver a denúncia completa e mais registros de negligência, acesse:

www.areporter.com.br

📲 Instagram: @areporteroficial


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Espaço Publicitário

Últimas postagens