Manaus | 11 de agosto de 2026 | 15:53:30

796 corpos de bebês serão exumados na Irlanda após descoberta de vala comum sob antigo abrigo católico

As autoridades da Irlanda iniciaram, neste mês de junho de 2025, uma das operações forenses mais delicadas e emocionalmente impactantes de sua história recente: a exumação dos restos mortais de 796 bebês e crianças pequenas enterrados clandestinamente sob o antigo Bon Secours Mother and Baby Home, uma instituição mantida por freiras católicas no vilarejo de Tuam, no condado de Galway.

O abrigo funcionou entre 1925 e 1961, acolhendo mulheres grávidas que haviam sido rejeitadas por suas famílias por engravidarem fora do casamento o que era fortemente estigmatizado pela sociedade irlandesa da época. Relatos apontam que muitas dessas mães foram obrigadas a entregar seus filhos à adoção ou os viram morrer ainda bebês, em condições precárias de saúde, higiene e cuidado.

As investigações começaram a ganhar força em 2017, quando uma escavação preliminar revelou restos humanos de crianças, alguns com idade estimada de apenas 35 semanas de gestação, sepultados em compartimentos subterrâneos de um tanque séptico desativado.

Agora, com base no Institutional Burials Act, aprovado em 2022, o governo irlandês autorizou oficialmente a abertura do terreno para uma exumação completa, que será conduzida por equipes forenses lideradas por Daniel MacSweeney. A previsão é que os trabalhos se estendam por até dois anos.

A operação prevê: A identificação dos restos mortais por meio de exames genéticos, permitindo o eventual retorno dos corpos às famílias.

O sepultamento digno de todas as vítimas, inclusive daquelas que não forem identificadas.

O acompanhamento de sobreviventes e parentes, que poderão visitar o local e acompanhar os primeiros passos da escavação.

O caso de Tuam representa apenas a face mais emblemática de uma rede de 18 instituições semelhantes que operaram na Irlanda ao longo do século XX. Segundo relatório da Comissão de Investigação Irish Mother and Baby Homes, cerca de 9 mil crianças morreram nesses centros, em geral por desnutrição, doenças respiratórias ou negligência.

Em resposta às denúncias e à pressão social, a congregação Bon Secours emitiu um pedido público de desculpas e anunciou um programa de reconhecimento e reparação às vítimas.

A escavação em Tuam representa não apenas uma ação de justiça histórica, mas um alerta mundial sobre os abusos cometidos em nome da moral, da religião e do controle social.

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