O anúncio de uma possível elevação das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), feito pela equipe econômica do governo federal, causou reação imediata no Congresso e acendeu um alerta em todo o setor produtivo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta terça-feira (3), em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, que as medidas compensatórias ainda estão em discussão, após a repercussão negativa da proposta inicial.
Segundo Lula, a iniciativa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de anunciar rapidamente o aumento do IOF na sexta-feira anterior, foi uma tentativa de “dar tranquilidade à sociedade”. O presidente saiu em defesa do ministro, negando qualquer erro na condução da proposta.
“Foi um momento político. Em nenhum momento o companheiro Haddad teve qualquer problema”, afirmou Lula.
A proposta tem como justificativa o reforço da arrecadação pública. A estimativa do governo é arrecadar R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026 com o ajuste. O problema, segundo especialistas e líderes empresariais, é que a conta vai parar justamente nas mãos de quem mais produz, gera emprego e movimenta a economia: o setor privado.
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Empresário na linha de frente — de novo
A crítica é antiga, mas volta com força: o Brasil tem um problema de gasto, não de arrecadação. De acordo com o painel Gasto Brasil, os gastos públicos em 2024 já ultrapassam os R$ 2 trilhões, enquanto a arrecadação, segundo o impostômetro, está na casa de R$ 1,5 trilhão. O desequilíbrio é visível.
A reação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, foi clara: o governo tem dez dias para apresentar um plano alternativo, mais duradouro, que não se baseie em “gambiarras tributárias” apenas para aumentar a arrecadação, como definiu.
Enquanto isso, o setor produtivo assiste, mais uma vez, ao avanço de uma lógica que penaliza o crédito, o investimento e a geração de empregos, principalmente entre pequenos e médios empresários, que mais dependem de acesso ao financiamento.
“É inadmissível que, diante de uma crise fiscal anunciada, o caminho escolhido seja o mais fácil — e o mais injusto”, pontuou um líder empresarial em nota à imprensa.
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Medida paliativa, impacto estrutural
A elevação do IOF impacta diretamente o custo de operações como empréstimos, financiamentos, câmbio, investimentos e até compras parceladas, atingindo trabalhadores, consumidores e microempreendedores.
A estimativa de arrecadar R$ 20 bilhões com a medida soa mais como desespero arrecadatório do que como uma estratégia séria de ajuste fiscal. Para especialistas, o governo precisa atacar a raiz do problema: gastos excessivos, estrutura inchada, privilégios mantidos e pouca disposição para reformas estruturantes.
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A resposta precisa vir do Congresso
O alerta está dado: o Brasil precisa de um ambiente que favoreça quem empreende, e não que o puna. A liberdade econômica é a base para o crescimento sustentável — e não se sustenta em cima de mais e mais tributos.
Cabe agora ao Congresso Nacional barrar esse aumento do IOF e exigir do Executivo um plano fiscal que envolva eficiência administrativa, revisão de gastos e cortes reais onde existe desperdício.
Não é com improviso que se equilibra uma nação.
E quem produz já carrega demais nas costas.





