Manaus | 12 de agosto de 2026 | 08:17:26

Paulo Cupertino foi condenado pela morte do ator Rafael Miguel e dos pais dele

O comerciante Paulo Cupertino Matias foi condenado, na noite desta sexta-feira (30), a 98 anos e 10 meses de prisão em regime fechado pelo assassinato do ator Rafael Miguel e dos pais dele, João Alcisio Miguel e Miriam Selma Miguel. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri após dois dias de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.

O crime ocorreu em 9 de junho de 2019, quando Rafael e os pais foram à casa da então namorada do ator para conversar com o pai dela. Na ocasião, Cupertino surpreendeu a família e efetuou diversos disparos de arma de fogo, matando as três vítimas na frente da residência, em plena luz do dia. Segundo a acusação, os assassinatos foram premeditados e motivados pelo ciúmes e intolerância de Cupertino em relação ao relacionamento da filha com o jovem ator.

Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou a acusação de triplo homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas e feminicídio indireto este último por conta da violência psicológica imposta à filha, utilizada como instrumento de controle e dominação.

A defesa de Cupertino alegou problemas psiquiátricos e pediu absolvição parcial, mas o júri popular, composto por sete pessoas, foi unânime ao considerar o réu culpado por todos os crimes.

A sentença foi lida no final da noite, encerrando um caso que comoveu o país e expôs os efeitos letais do autoritarismo familiar.

Após o crime, Cupertino permaneceu foragido por mais de três anos, sendo incluído na lista de procurados da Interpol. Foi capturado apenas em maio de 2022, em um hotel na zona sul de São Paulo, após inúmeras buscas infrutíferas.

A sentença representa o fim de uma longa jornada de dor para os familiares e amigos das vítimas. “É um alívio, mas não uma vitória. Nada vai trazer Rafael e seus pais de volta”, declarou uma amiga da família à saída do tribunal.

O caso reacende o debate sobre violência doméstica, masculinidade tóxica, posse de armas e impunidade no Brasil, e reforça a importância do papel da sociedade na denúncia de comportamentos abusivos e ameaçadores.

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