A Dinamarca acaba de aprovar uma nova lei que eleva a idade mínima de aposentadoria para 70 anos, o que fará do país nórdico o com maior idade de retirada da ativa em toda a Europa. A medida, que entrará em vigor a partir de 2040, valerá para todos os nascidos a partir de 1971 — e já provoca intensos debates pelo mundo, inclusive no Brasil.
Atualmente, os dinamarqueses se aposentam aos 67 anos, com a idade sendo recalculada a cada cinco anos com base na expectativa de vida. Agora, o cronograma prevê que a idade suba para 68 em 2030, 69 em 2035 e atinja os 70 anos em 2040. A justificativa? Com as pessoas vivendo mais, o governo quer que trabalhem por mais tempo, sustentando o sistema previdenciário por mais anos.
Apesar da justificativa econômica, a decisão enfrentou críticas de sindicatos e especialistas. O presidente da confederação sindical dinamarquesa, Jesper Ettrup Rasmussen, declarou que a medida pode comprometer a qualidade de vida dos idosos: “Não podemos tratar pessoas como engrenagens que trabalham até o fim”.
E no Brasil? Há chance de isso acontecer?
No Brasil, a idade mínima atual para aposentadoria urbana é de 62 anos para mulheres (com 15 anos de contribuição) e 65 para homens (com 20 anos de contribuição). No entanto, com o rápido envelhecimento da população brasileira e sucessivos déficits na Previdência Social — que somou mais de R$ 290 bilhões em 2023 — analistas não descartam que o país siga tendência semelhante no futuro.
Além disso, o modelo brasileiro já prevê regras progressivas, como aumento gradual da idade mínima e o uso do fator previdenciário. A Reforma da Previdência de 2019 trouxe mudanças profundas e abriu caminho para novas atualizações.
Por outro lado, diferentemente da Dinamarca, o Brasil enfrenta desigualdades profundas. Uma grande parcela da população começa a trabalhar ainda na adolescência e atua em funções exaustivas, o que torna mais difícil manter a produtividade e a saúde até idades avançadas.
O que está em jogo?
A experiência da Dinamarca mostra que os países estão buscando formas de adaptar seus sistemas previdenciários ao aumento da longevidade. Mas o desafio é equilibrar a sustentabilidade financeira com o direito a uma aposentadoria digna.
Especialistas alertam que o debate sobre aposentadoria no Brasil deve levar em conta as desigualdades regionais, sociais e de expectativa de vida entre classes — caso contrário, corre-se o risco de aprofundar injustiças e ampliar a exclusão.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, já admite que o modelo poderá ser revisto no futuro, justamente por reconhecer que nem todos envelhecem nas mesmas condições. No Brasil, o debate está apenas começando — mas o alerta já está dado.






